Quilomb’Artes fortalece cultura e pertencimento em comunidade quilombola de Minas Gerais
13 de abril de 2026
Realizado em Pinhões, o projeto reuniu oficinas, rodas de conversa e apresentações culturais, mobilizando jovens e mulheres e reafirmando a cultura quilombola como instrumento de resistência
Um projeto que nasceu da necessidade de fortalecer a cultura quilombola como elemento central da resistência da Comunidade Quilombola de Pinhões, em Santa Luzia (MG). Assim foi o Projeto QUILOMB’ARTES, que aconteceu durante três dias, período em que a comunidade esteve imersa em oficinas, rodas de conversa, apresentações artísticas e culturais.
Três dias de imersão cultural
O evento reuniu cerca de 64 pessoas e buscou estimular a participação dos jovens e das mulheres e fortalecer os laços comunitários. A atividade aconteceu entre os dias 7 e 9 de novembro. Na noite da sexta-feira (7), os participantes foram recepcionados com uma cerimônia de abertura marcada pela apresentação da Guarda do Congo do Divino Espírito Santo de Nossa Senhora do Rosário, da comunidade de Pinhões.

No dia seguinte, a programação reuniu oficinas de Teatro do Oprimido, cantos de quilombo e espetáculos de palhaçaria, além das apresentações finais com os resultados das atividades desenvolvidas ao longo do encontro.
Saberes que circulam e se fortalecem
A iniciativa também se consolidou como um espaço de troca de saberes, com a roda de conversa “Arte quilombola, resistência, memória e produção de saberes”. O momento contou com a participação de convidadas como o Grupo de Mulheres de Quilombo e as Mulheres do Batuque do Brejo, do Quilombo Brejo dos Crioulos.
O QUILOMB’ARTES busca contribuir para o reconhecimento social das comunidades, assim como uma necessidade de combater o racismo estrutural e garantir a preservação do patrimônio imaterial quilombola. A iniciativa é da Coordenação de Mulheres Quilombolas do Estado de Minas Gerais – Mariana Crioula. A presidenta da organização, Andreia Azevedo Crivaro Moreira, fala da importância da participação da juventude para o legado dos saberes.
“Foi uma troca muito legal, com a participação de meninas de outros territórios, bem distantes, quanto da juventude. Foi muito interessante ver como os jovens começaram a se interessar e a participar, porque esse processo passa muito pelo sentimento de pertencimento. Quando eu pertenço, aquilo me toca. E, se me toca, é porque é o meu território, de onde eu vim.”
Ela também fala que a proposta foi pensada no sentido de que a comunidade pudesse olhar para o seu território e compreender que o que é produzido é uma prática cultural, um ato geracional.
“A partir disso, refletir sobre como essas práticas podem ser transmitidas para as outras gerações. Muitas vezes se repete a ideia de que a juventude “não quer”, mas, na verdade, o que percebemos é que, quando há confluência entre comunidades, surgem novas formas de engajamento”, reflete.
A Coordenação de Mulheres Quilombolas do Estado de Minas Gerais – Mariana Crioula é um coletivo de mulheres quilombolas e aquilombadas, criado em 2022 e com sede na capital, Belo Horizonte. As ativistas da organização atuam em prol da visibilização, promoção de direitos e capacitação de lideranças e mulheres quilombolas do estado.
A iniciativa foi viabilizada com apoio da CESE, por meio do Programa de Pequenos Projetos, utilizando a Metodologia de Dupla Participação. Para a organização, esse apoio foi um ponto de apoio para a garantia de estrutura necessária à realização do Quilomb’Arte. Como em assegurar aspectos essenciais, como alimentação e transporte, Andreia reflete sobre a importância de projetos como esse e destaca seu potencial de transformar realidades, mesmo quando são considerados microprojetos.
O Quilomb’Artes não ficou no ano passado; a iniciativa plantada no coração das mulheres da Comunidade Quilombola de Pinhões, em Santa Luzia, e dos outros quilombos do estado já as fez sonhar e planejar com a iniciativa para 2026.
“ Queremos que o projeto continue sendo esse espaço de pertencimento, valorização da cultura que nos forma, que nos conecta com nossas origens e com aquilo que somos”, destaca Andreia.

Programa de pequenos projetos
Desde a sua fundação, a CESE definiu o apoio a pequenos projetos como a sua principal estratégia de ação para fortalecer a luta dos movimentos populares por direitos no Brasil. Quer enviar um projeto para a CESE? Aqui uma lista com 10 exemplos de iniciativas que podem ser apoiadas:
1. Oficinas ou cursos de formação
2. Encontros e seminários
3. Campanhas
4. Atividades de produção, geração de renda, extrativismo
5. Manejo e defesa de águas, florestas, biomas
6. Mobilizações e atos públicos
7. Intercâmbios – troca de experiências
8. Produção e veiculação de materiais pedagógicos e informativos como cartilhas, cartazes, livros, vídeos, materiais impressos e/ou em formato digital
9. Ações de comunicação em geral10. Atividades de planejamento e outras ações de fortalecimento da organização. Clique aqui para enviar seu projeto! Mas se você ainda tiver alguma dúvida, clica aqui.