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Programa Virando o Jogo fortalece organizações populares com curso sobre Mobilização de Recursos Locais
26 de agosto de 2019
Entre os dias 19 e 23 de agosto, a CESE realizou a terceira Oficina de Formação em Mobilização de Recursos Locais, em Salvador. O curso faz parte do Programa Virando o Jogo, programa de apoio ao fortalecimento de organizações nas áreas de mobilização de recursos locais e incidência política – uma iniciativa da agência de cooperação holandesa Wilde Ganzen, em conjunto com Smile Foundation (Índia), KCDF (Quênia) e CESE (Brasil), com o apoio do governo holandês.
O curso contou com a participação de organizações populares rurais e urbanas que lutam pelo direito à cidade, como pescadoras, extrativistas e apanhadoras de flores, mulheres negras, juventude, grupos de arte e cultura e representantes do movimento de luta por moradia. A formação para este público foi composta por uma fase presencial de cinco dias, incluindo aprendizagem combinada on-line, através do Portal Virando o Jogo, além do acompanhamento de trabalho individual à distância pós-curso.
Para a participante Jéssica Reis, do Coletivo Incomode, a participação na formação trouxe uma reverberação sobre como potencializar ações já desenvolvidas pelo movimento. Para ela o curso ajudará no aprimoramento da mobilização de recursos: “O curso vem para ajudar a quebrar esse estereótipo criado pela sociedade de que jovem suburbano não tem cultura ou que só vive na rua. Nós do Coletivo Incomode já temos uma atuação nesse sentido e esse curso só veio somar“.



A programação da formação foi composta por conteúdos sobre o ciclo da mobilização de recursos, rede de relacionamento, comunicação, planejamento e a uma roda de conversa sobre “Conjuntura e Sustentabilidade – Desafios e Perspectivas” com a presença de Felipe Estrela (Associação de Advogados/as de Trabalhadores/as Rurais – AATR/Bahia) e Raiovana Santana (Movimento de Cultura Popular do Subúrbio – Bahia) que trouxeram em suas falas as vivências dos movimentos sociais e a reflexão sobre o papel de cada organização no atual contexto político.
Para Marília Pinto, analista de Comunicação da CESE e uma das facilitadoras do curso, a área de mobilização de recursos tem sido uma demanda crescente no diálogo e articulação da CESE com os movimentos populares, sobretudo no cenário de violação de direitos vivenciado no Brasil: “Diante de tanto retrocesso com as minorias, somos desafiados/as a contribuir com o fortalecimento e as condições de sustentabilidade dos grupos, reconhecendo a importância da autonomia para a afirmação da democracia e as possibilidades de transformação social através da articulação em rede.”.
Nilce Garcês, representante do Grupo Mulheres Negras Mãe Andresa, relata que o curso colaborou para ampliar a visão sobre o que é mobilização de recursos: “Para mim, essa questão estava muito mais voltada para editais e elaboração de grandes projetos. Quando retornar para o Maranhão, a primeira coisa que vou fazer é organizar um bazar.”, descreve Nilce.
No mês de outubro, a turma se reunirá para a realização de um Seminário Virtual sobre as atividades desenvolvidas pós curso: para compartilhamento do folder, caso a ser apoiado e planejamento sobre mobilização de recursos.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.