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Posicionamento do CONIC sobre o Decreto nº 9.831 que acaba com a autonomia e as condições de funcionamento do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT)
15 de junho de 2019Eliminar mecanismos que fiscalizam a tortura é o mesmo que incentivá-la
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) repudia a publicação do Decreto nº 9.831, de 10 de junho de 2019, que acaba com a autonomia e as condições de funcionamento do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT) e altera a composição do Comitê Nacional de Prevenção e Combate a Tortura (CNPCT). Tal medida estabelece uma ruptura perigosa com os Direitos Humanos mais básicos de todas as pessoas.
Segundo o MNPCT, o Decreto é uma retaliação aos órgãos públicos e organizações da sociedade civil que denunciam práticas sistemáticas de tortura em locais de privação liberdade. Destacam-se o os relatórios recentes que denunciam práticas desumanas e de tortura em Comunidades Terapêuticas, os Massacres no Sistema Prisional do Rio Grande do Norte, Roraima, Amazonas, e de atuação irregular da Força Tarefa de Intervenção Federal (FTIP) do Ministério da Justiça no Ceará.
A publicação do Decreto nº 9.831/2019 também viola o Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes (OPCAT). Além disso, rompe com valores civilizatórios e com a dignidade humana.
Esperamos que o Congresso Nacional, ou mesmo o Supremo Tribunal Federal, reajam a este Decreto. Conclamamos que os órgãos competentes, seja nas esferas estaduais ou federal, não ignorem os impactos do conteúdo deste Decreto em relação à violência policial, à negação da dignidade e humanidade das pessoas em privação de liberdade e em situação análoga à escravidão.
Como igrejas cristãs, temos sempre em mente que Jesus Cristo também foi um torturado pelos poderes políticos e religiosos de sua época (Isaías 53:7 e João 19:1). Também naquele tempo, o poder do Estado, aliado a poderes religiosos legalistas, era um violador dos direitos das pessoas.
Em um país como o Brasil, que ainda não enfrentou de forma profunda o genocídio indígena, as consequências da escravização, do colonialismo, que não assume de forma honesta os crimes da ditadura militar e que assassina diariamente trabalhadores e trabalhadoras, é inadmissível que um Decreto como esse vigore.
Jesus Cristo, o torturado, “…é a nossa paz…
destruiu o muro da separação: o ódio” (Cf.: Ef 2:14).
CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
Imagem: Pixabay
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.