Mulheres negras da Bahia refletem sobre Reparação e Bem Viver rumo à Marcha 2025
21 de julho de 2025


A 2ª edição da Marcha das Mulheres Negras traz como tema “Por Reparação e Bem Viver” e os movimentos de mulheres negras baianas já estão se mobilizando para participar da iniciativa, que acontecerá em novembro na capital do país. Com o apoio recebido da CESE, a Rede de Mulheres Negras da Bahia irá desenvolver, entre julho e setembro, ações para fortalecer a articulação das mulheres negras de Salvador e interior, com foco na Marcha.
A Rede de Mulheres Negras da Bahia é uma organização de referência no combate ao racismo, ao machismo e sexismo na Bahia. Foi fundada em 2013, com o principal objetivo de organizar a Marcha de Mulheres Negras de 2015.


Suely Santos, integrante da Rede, explica a importância do slogan da Marcha. “Não haverá possibilidade de Bem Viver sem Reparação. O Bem Viver questiona o colonialismo e o eurocentrismo. Sua proposta contraria as relações de poder instituídas que estabeleceu o atual modelo de desenvolvimento. O Bem Viver é pensado fora desse formato convencional no qual o economicismo é seu eixo central”, aponta. “Por isso, a Reparação – histórica – é o caminho para o Bem Viver, considerando que exige o reconhecimento e compensação pelos danos causados pelo colonialismo, incluindo a exploração econômica, a violência, a escravidão, a destruição da cultura e a imposição desse sistema político e social.”
Nesse sentido, o principal objetivo do projeto apoiado é organizar ações impulsionadoras para organização, formação e incidência política, entre elas: rodas de conversa para impulsionar os debates; sessão especial comemorativa dos 10 anos da Rede de Mulheres Negras da Bahia; seminário estadual para avaliação conjuntural da Marcha de Mulheres Negras.
A Rede pretende levar 200 mulheres para a Marcha – cheias de expectativas, com as memórias ainda frescas dos efeitos da última edição. “A Marcha foi o evento capaz de organizar e articular mulheres negras em todo o Brasil, possibilitando sua organização nacional. O movimento de mulheres negras vem gradativamente se articulando desde a década de 80, mas é a Marcha o evento que possibilita sua visibilidade e mostrar que é possível um projeto político, uma forma de pensar a sociedade brasileira, a partir das mulheres negras”, pondera Suely Santos, de olho na edição 2025 da iniciativa.
Programa de Pequenos Projetos
Desde a sua fundação, a CESE definiu o apoio a pequenos projetos como a sua principal estratégia de ação para fortalecer a luta dos movimentos populares por direitos no Brasil.
Quer enviar um projeto para a CESE? Aqui uma lista com 10 exemplos de iniciativas que podem ser apoiadas:
1. Oficinas ou cursos de formação
2. Encontros e seminários
3. Campanhas
4. Atividades de produção, geração de renda, extrativismo
5. Manejo e defesa de águas, florestas, biomas
6. Mobilizações e atos públicos
7. Intercâmbios – troca de experiências
8. Produção e veiculação de materiais pedagógicos e informativos como cartilhas, cartazes, livros, vídeos, materiais impressos e/ou em formato digital
9. Ações de comunicação em geral
10. Atividades de planejamento e outras ações de fortalecimento da organização
Clique aqui para enviar seu projeto!Mas se você ainda tiver alguma dúvida, clica aqui.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.