Vozes que transformam territórios: 10 anos de histórias da Aliança Virando o Jogo
28 de janeiro de 2026
Do Brasil à Índia, de Gana ao Camboja, a publicação Vozes que Transformam: das ações locais a conquistas globais reúne experiências construídas ao longo de dez anos por organizações, coletivos e comunidades que atuam a partir de seus próprios contextos. São histórias de resistência, criatividade e organização popular que mostram como a ação coletiva pode abrir caminhos e fortalecer as lutas por direitos.
A publicação celebra a trajetória da Aliança Virando o Jogo que, ao longo dessa década, tem caminhado junto a iniciativas locais, apoiando processos formativos em mobilização de recursos, incidência política e prestação de contas. Mais do que registrar resultados, o livro valoriza os percursos, os aprendizados e as escolhas feitas por quem atua no território.
As histórias apresentadas passam pela defesa do transporte público no Brasil, pela proteção da biodiversidade no Peru, por experiências de aprendizagem digital em Gana e por processos conduzidos por mulheres na zona rural da Índia. Em comum, elas mostram que os resultados mais consistentes surgem do conhecimento local, da cooperação e da confiança construída entre pessoas e organizações.
“O livro mostra, de forma concreta, como a participação local fortalece o protagonismo comunitário. As organizações retratadas perceberam que seu principal recurso era a confiança em sua própria capacidade. A formação não trouxe respostas prontas, mas ferramentas para que cada grupo construísse seus próprios caminhos”, afirma Nienke Nuijens, da Aliança Virando o Jogo.
Ao longo desses dez anos, a Aliança Virando o Jogo:
- realizou formações com mais de 4 mil organizações;
- contribuiu para a atuação de mais de 200 formadores e formadoras locais;
- esteve presente em mais de 30 países, apoiando ações de mobilização de recursos, incidência política e prestação de contas.
Os números ajudam a dimensionar o alcance dessa caminhada, mas não dão conta de tudo o que está por trás dela. Cada dado carrega histórias de educadores e educadoras, lideranças comunitárias, jovens, pessoas que decidiram não esperar por soluções externas, mas construir respostas coletivas a partir de suas realidades. Este livro é dedicado a essas pessoas e organizações.
“A publicação reúne essas trajetórias com sensibilidade e consistência. Além dos relatos, apresenta exemplos concretos de escolas e centros de saúde criados, políticas públicas influenciadas, recursos mobilizados e comunidades articuladas. É um retrato da força que surge quando as ações partem do território”, destaca Louise Pita, que coordenou a produção do livro.
Disponível em formato digital e em quatro idiomas — português, espanhol, inglês e francês —, a publicação pode ser usada como material de reflexão, partilha e diálogo em organizações, redes e espaços formativos. Seja em encontros locais, atividades de formação ou articulações mais amplas, o livro reafirma uma mensagem simples e potente: quando as comunidades conduzem seus próprios processos, novos caminhos se abrem.
Ao celebrar esses dez anos, a Aliança Virando o Jogo olha para a trajetória construída e segue apostando na força das organizações populares. Vozes que Transformam é um convite para conhecer essas histórias e para seguir escrevendo os próximos capítulos dessa caminhada coletiva.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.