Um dia, infinitas lutas: 8 de março Pela Vida das Mulheres!
08 de março de 2022
Não é só mais uma manifestação. Ocupar as ruas para defender a vida das mulheres em 2022 tem significados extraordinários. Nos atos deste 8 de março, a ordem que naturaliza a violência, a exploração e o ódio às mulheres é contestada de maneira contundente. É também lançado um chamado a imaginarmos e construirmos um mundo em que o feminicídio, o racismo e a fome sejam encarados com horror e responsabilidade coletiva para seu enfrentamento.
Neste ano, as mulheres brasileiras vão às ruas com o peso de lutos acumulados e interditados – pelas 650 mil vítimas da Covid19, em grande parte mortes evitáveis; pelas quatro vítimas diárias de feminicídio; pelos seus filhos, jovens negros executados; por tantas outras mortes decorrentes de um projeto genocida, racista e misógino, que avança com voracidade sobre os territórios e os corpos das mulheres.
Em 2022, as mulheres brasileiras vão às ruas – de onde, aliás, nunca arredaram pé – para demonstrar sua indignação contra um governo que não hesita em colocar os interesses de poucos acima do bem comum, que ataca de todas as formas a nossa frágil democracia, que destrói florestas, incita a violência, manipula a fé das pessoas, silencia, mente e persegue, em nome do poder. As mulheres vão às ruas também para demonstrar que estão alertas, atuantes, e que sem a força política das mulheres não será possível reconstruir e transformar o nosso país.
A CESE, em seu compromisso ecumênico com os direitos humanos, com a justiça social e com a democracia, não só escuta o chamado das mulheres, mas também reforça suas vozes por todo o país, através de gestos concretos de solidariedade a suas lutas.
Nos últimos 10 anos, a CESE apoiou 675 projetos de coletivos, organizações e movimentos populares com ações voltadas para mulheres, com especial atenção às mulheres negras, indígenas e de comunidades tradicionais da região Nordeste, da Amazônia e do Cerrado. Vem também reforçando ações de formação, diálogo e articulação com grupos e movimentos de mulheres, que se traduzem em fortalecimento organizativo, campanhas conjuntas de defesa de direitos e enfrentamento ao fundamentalismo religioso, entre outras iniciativas. As políticas institucionais da CESE para Equidade de Gênero e Equidade Racial, que elaboramos com participação de toda a equipe e diretoria, ganham cada vez mais sentido e concretude, tanto internamente como na atuação externa e nas parcerias estabelecidas pela CESE.
E como não poderia deixar de ser, neste 8 de março e sempre, a CESE também estará nas ruas, Pela Vida das Mulheres!
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.