Reunião Anual de Planejamento da CESE fortalece estratégias, integração e compromisso com os territórios
09 de fevereiro de 2026
A Reunião Anual de Planejamento da CESE é um momento coletivo fundamental para alinhar caminhos, fortalecer compromissos institucionais e projetar as ações da organização ao longo do ano. Em 2026, mais uma vez, toda a equipe executiva esteve reunida durante três dias para refletir, planejar e construir, de forma compartilhada, as estratégias que orientarão o apoio a projetos, campanhas, formações, ações de incidência política e demais iniciativas da CESE.
Além de organizar atividades, o planejamento anual parte de uma análise crítica da conjuntura social, política e econômica do país, compreendendo como esse cenário atravessa, de maneira desigual, a vida de povos, comunidades e grupos historicamente vulnerabilizados. É a partir desse debate que a CESE define prioridades, reafirma sua missão e projeta respostas institucionais comprometidas com a democracia, os direitos humanos e o Bem Viver.
A análise de conjuntura contou com a contribuição de convidados/as que provocaram reflexões sobre o momento atual. Para Lígia Margarida Gomes, presidenta da Associação Protetora dos Desvalidos e do Instituto Renascer Mulher, os movimentos sociais seguem sendo protagonistas na defesa de direitos e no enfrentamento das desigualdades estruturais. “Esses movimentos têm sido responsáveis por provocar mudanças significativas, na vida das pessoas e nas estruturas sociais”, destacou.
Já o jurista e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Samuel Vida, chamou atenção para os desafios impostos pela conjuntura digital e pela atuação da extrema direita nesse campo. Segundo ele, trata-se de uma transformação profunda, ainda pouco compreendida, que exige novas estratégias de articulação, comunicação e incidência. “Precisamos construir alternativas, fortalecer ecossistemas digitais e transformar pautas identitárias em projetos emancipatórios, que articulem raça, gênero, sexualidade, meio ambiente, território e tantas outras lutas”, afirmou. Samuel também ressaltou a importância de esperançar, lembrando que não é a primeira vez que as populações vulnerabilizadas enfrentam projetos autoritários e excludentes. Para ele, é fundamental reconhecer as memórias e trajetórias históricas de resistência como fonte de aprendizado, imaginação política e construção de outros modos possíveis de vida, baseados na solidariedade, no cuidado e no Bem Viver.
Planejamento, Monitoramento e Avaliação: fortalecer práticas e aprendizados institucionais
O primeiro dia da reunião também foi dedicado à devolutiva da consultoria conduzida por Marta Grave, responsável pela Sistematização e aprimoramento do Planejamento, Monitoramento, Avaliação e Sistematização (PMAS) da CESE. O processo, desenvolvido de forma participativa, revisitou práticas, instrumentos e rotinas institucionais, contribuindo para o fortalecimento da gestão, da aprendizagem organizacional e da coerência entre o Plano Político Institucional (PPI) e as ações cotidianas da organização.
Ao longo dos dias seguintes, a programação incluiu debates setoriais, discussões sobre sustentabilidade institucional, comunicação, ecumenismo, incidência política, diálogo com movimentos sociais e a construção coletiva da agenda anual. Um dos destaques foi o espaço de escuta ativa e devolutiva sobre o PMA, reafirmando o compromisso da CESE com processos transparentes, participativos e integrados entre os diferentes setores.
Formação interna e orientações para a atuação nos territórios
A Reunião Anual de Planejamento também é um espaço de formação interna e integração da equipe. Nesse sentido, um momento importante foi a discussão do protocolo da presença e convivência em territórios indígenas e comunidades tradicionais, com orientações sobre cuidados, respeito aos tempos e culturas locais, saúde, meio ambiente e ética institucional.
Essa atividade foi conduzida pelos jovens indígenas Tifane Araújo, assessora de projetos e formação da organização, e Antônio Marinho, analista de comunicação da CESE no âmbito do Projeto Dabucury, que atua junto à COIAB, em Manaus. Para Tifane, “se preparar para respeitar é fundamental: ter sensibilidade para compreender os povos e comunidades tradicionais e construir uma relação verdadeiramente respeitosa”.
Ao final da reunião, ficou evidente que o planejamento anual é um exercício coletivo de escuta, aprendizado e fortalecimento da organização. Como destaca Sônia Mota, diretora executiva da CESE, “este é um momento de formação para a equipe interna, mas também de reafirmação do nosso compromisso político e ético. Planejar juntos/as nos permite compreender melhor os desafios do tempo presente, alinhar nossas práticas e seguir construindo uma CESE coerente com sua história, seus valores e com as lutas das organizações e movimentos que caminham conosco”.