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Projeto mobiliza mulheres negras contra racismo ambiental no Tocantins

11 de fevereiro de 2026

O Tocantins carrega uma realidade marcada pelo avanço do agronegócio, expansão da soja e grandes empreendimentos apresentados sob o discurso do “desenvolvimento”. Enquanto essa realidade se desenrola, mulheres negras, quilombolas, ribeirinhas e assentadas vivenciam de forma direta os impactos da degradação ambiental, dos conflitos fundiários e da violação de direitos em seus territórios. Diante desse cenário, o Coletivo Feminista de Mulheres Negras Ajunta Preta desenvolveu o projeto Sementes do Cerrado: Mulheres Negras Contra o Racismo Ambiental, com apoio da CESE.

“O projeto buscou impulsionar a luta contra o racismo ambiental no Tocantins”, explica Janaína Costa Rodrigues, integrante do Coletivo. O Censo Demográfico de 2022 revelou que o Tocantins está entre os estados brasileiros onde a precariedade habitacional atinge de forma mais intensa populações historicamente racializadas – vivendo em cortiços, cômodos improvisados, habitações indígenas, malocas ou casas degradadas.

O projeto previa a execução de três ações articuladas, voltadas à formação política, à mobilização social e à incidência nos espaços de luta das mulheres negras. A primeira foi a realização de uma campanha em redes sociais, com conteúdos voltados à conceituação do racismo ambiental, às suas formas de manifestação no Tocantins e às perspectivas defendidas pelas mulheres negras em relação ao Bem Viver.

“Junto com aquele discurso bastante empresarial de progresso, vem a degradação do meio ambiente, conflitos fundiários, utilização de territórios quilombolas e indígenas para projetos tidos como desenvolvimento. Essa discussão é muito importante porque o racismo ambiental afeta muito as pessoas ribeirinhas e assentadas”, detalha.

A campanha foi realizada principalmente no Instagram, com a produção de reels e carrosséis informativos, todos elaborados por mulheres negras do coletivo. Além disso, o projeto promoveu uma roda de conversa com mulheres da colônia de pescadoras, ampliando o diálogo sobre os efeitos do racismo ambiental na vida das mulheres ribeirinhas, quilombolas e assentadas da região.

Rumo à Marcha das Mulheres Negras

A terceira meta do projeto foi garantir a participação do Tocantins na Marcha Nacional das Mulheres Negras, em Brasília. “Nós conseguimos locar um ônibus de 42 lugares com o recurso da CESE”, conta. No total, a caravana do Tocantins foi de 258 mulheres. Dessas, 100 quilombolas. “O Tocantins esteve presente na marcha, se articulando com outras mulheres.”

Para Janaína, a marcha foi um momento simbólico e político de grande força coletiva. “Mais de 300 mil mulheres nas ruas em Brasília, com a entrega da Carta, a reivindicação por Reparação e pelo Bem Viver.” Ela também ressalta a diversidade e o protagonismo regional: “Foi um momento de muita diversidade, participamos do trio da região Norte, apresentando as demandas da nossa região, dialogando sobre essa pauta e sobre a melhoria da qualidade de vida para as mulheres pretas do Tocantins.”

Entre os saldos reconhecidos pelo coletivo, a projeto aprofundou o debate sobre racismo ambiental entre as mulheres negras do estado e o acúmulo teórico construído a partir dos estudos e leituras realizadas. Esse acúmulo também fortaleceu a atuação política do coletivo, que produziu notas de posicionamento e de repúdio diante de situações concretas de violação de direitos, como a mobilização em defesa do território quilombola do Rio Preto.

A campanha Sementes do Cerrado seguiu ativa nas redes sociais até janeiro, ampliando o alcance das reflexões sobre racismo ambiental, justiça climática e Bem Viver, e reafirmando o protagonismo das mulheres negras na defesa dos territórios e da vida.

Programa de Pequenos Projetos

Desde a sua fundação, a CESE definiu o apoio a pequenos projetos como a sua principal estratégia de ação para fortalecer a luta dos movimentos populares por direitos no Brasil.

Quer enviar um projeto para a CESE? Aqui uma lista com 10 exemplos de iniciativas que podem ser apoiadas:

  1. Oficinas ou cursos de formação
  2. Encontros e seminários
  3. Campanhas
  4. Atividades de produção, geração de renda, extrativismo
  5. Manejo e defesa de águas, florestas, biomas
  6. Mobilizações e atos públicos
  7. Intercâmbios – troca de experiências
  8. Produção e veiculação de materiais pedagógicos e informativos como cartilhas, cartazes, livros, vídeos, materiais impressos e/ou em formato digital
  9. Ações de comunicação em geral
  10. Atividades de planejamento e outras ações de fortalecimento da organização

Clique aqui para enviar seu projeto! Mas se você ainda tiver alguma dúvida, clica aqui.

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