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Comunicação estratégica

Projeto Dabucury: oficina virtual destaca redes sociais como território de luta dos povos indígenas

20 de março de 2026

Encontro reuniu comunicadores e comunicadoras indígenas da Amazônia para discutir narrativas, combater fake news e fortalecer a atuação digital nos territórios indígenas

Na terça-feira, 17 de março, a Rede de Comunicadores e Comunicadoras Indígenas da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) realizou a segunda oficina virtual de formação, com o tema “Estratégias de Redes Sociais”. O encontro destacou a comunicação como ferramenta estratégica para a defesa de direitos nos territórios e o fortalecimento das narrativas indígenas.

A oficina foi conduzida por Pedro Tukano, jornalista, fotógrafo e social media da Coiab. Durante a formação, ele apresentou a comunicação indígena como um processo de descolonização e reconstrução de narrativas, que busca confrontar visões colonizadoras historicamente difundidas pelo jornalismo tradicional.

Segundo Pedro, com o avanço das redes sociais, esses espaços deixaram de ser apenas canais de visibilidade e passaram a se configurar como territórios de disputa política e simbólica. A ocupação digital pelos povos indígenas permite a produção de conteúdos próprios, a democratização da informação e o diálogo com públicos indígenas e não indígenas, fortalecendo as lutas e desconstruindo estereótipos.

Uma das referências destacadas foi a gerência de comunicação da Coiab, criada em 2020, no contexto da pandemia de COVID-19. Desde então, o setor atua de forma articulada com outras áreas da organização, como a coordenação executiva e a assessoria jurídica, garantindo respaldo político e institucional às publicações e consolidando as redes sociais como ferramentas de denúncia e incidência.

Pedro também ressaltou que a Coiab utiliza as redes para impulsionar campanhas estratégicas, como “A Resposta Somos Nós”, realizada em parceria com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. A iniciativa tem caráter contínuo e atua na incidência política, especialmente em pautas relacionadas à agenda climática. Além disso, a comunicação acompanha agendas institucionais, como formações de lideranças indígenas e eventos internacionais, a exemplo da COP30, ampliando a visibilidade das pautas indígenas em espaços de decisão global.

Vozes da oficina

A comunicadora indígena Mayla Karajá destacou a importância da formação para o fortalecimento da comunicação indígena.

“Eu gostei muito da oficina sobre redes sociais. Para nós, comunicadores indígenas, esses espaços são fundamentais para aprimorar nossos conhecimentos nas diversas áreas da comunicação. O que mais me marcou foi ver um indígena conduzindo a formação, isso nos faz sentir representados e ficar mais à vontade para compartilhar nossas experiências e dúvidas”, afirmou.

Mayla também ressaltou a importância prática do conteúdo apresentado na oficina.

“Além disso, entender como a comunicação da Coiab se organiza nas redes sociais ajuda a gente a fortalecer a nossa atuação nos territórios. As redes são esse espaço de conexão entre os povos, onde reafirmamos nossas lutas e mostramos nossa realidade para o mundo. Elas também ajudam a combater fake news. Por isso, é essencial termos cada vez mais oficinas como essa.”

A realização da oficina integra as ações do Projeto Dabucury, iniciativa da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e Coiab, com apoio do Fundo Amazônia. O projeto contribui para o fortalecimento da Rede de Comunicadores e Comunicadoras Indígenas da Coiab, investindo na formação contínua de comunicadores indígenas e no fortalecimento das estratégias de comunicação nos territórios.

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