Povos Indígenas abrem Reunião da Diretoria da CESE
24 de setembro de 2018


Com a afirmação “o Agro não é pop”, o indígena Ariabo Quezo, povo Balatipone, do território Umutina, Barra do Bugres (MT) relatou, durante a reunião de Diretoria da CESE, como o agronegócio do gado, da soja e da cana têm massacrado os povos e violado seus direitos, contrariando o slogan “Agro é tech, agro é pop, agro é tudo” da campanha publicitária da “Agro: a Indústria-Riqueza do Brasil” promovida pela Rede Globo.
O encontro de algumas horas entre a direção institucional, a equipe executiva e membros da COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia) fez parte da terceira reunião anual da diretoria da CESE. Apesar da brevidade, a conversa foi muita intensa “Uma verdadeira aula de História”, descreve Sônia Mota, diretora executiva. O objetivo deste momento foi iniciar mais um processo vivência para melhorar a compreensão sobre os povos indígenas , conhecer o histórico de violações de direitos e identificar desafios para essas populações, em torno da futura parceria entre CESE e COIAB.
Além da questão da ofensiva ideológica do latifúndio, Ariabo expos como o território para os povos indígenas tem um significado muito maior do que um simples espaço geográfico. Para ele, tem relação com sua própria identidade, tradição e cultura. “Para nós, território é vida. Lutamos pela vida.”.



A CESE escutou também os relatos de Ângela Amanakwa Kaxuyana, pertencente ao povo Kahyana – Kaxuyana (PA), Idjawala Rosa Karajá, povo Karajá da Ilha do Bananal (TO) e Modesta da Silva Carvalho, do povo Tucano de Manaus (AM). Os/as convidados/as compartilharam suas experiências, suas lutas e a história dos seus povos.
Ângela Amanakwa trouxe dados sobre a diversidade da cultura indígena “270 línguas indígenas são faladas no país”, e abordou sobre os processos de pressão e opressão sofridos pelos povos indígenas que vão desde o período da colonização e ditadura militar, até os tempos atuais de retrocessos de direitos. Nesse processo de existência e resistência dos povos indígenas, Ângela lembrou a declaração de posse permanente da terra Kaxuyana/Tunayana reconhecida pelo Ministério da Justiça, na última quinta-feira (20).
Para a ela, esse processo reconhecimento é uma dívida histórica que o Estado possui com os povos indígenas, sobretudo com o com o povo Kaxuyana, que forçadamente foi deslocado no período da ditadura, para o território Parque do Tumucumaque: “Esta declaração é uma forma de reconhecer a luta do nosso povo e do nosso direito territorial num momento de tantos ataques. Isso nos fortalece para que a gente continue na área que era dos nossos ancestrais, dos nossos avós.”.
Assim como Ariabo, Ângela exemplificou projetos que ameaçam as terras indígenas, entre eles o que prevê o arrendamento de aldeias para o agronegócio. “De pop o agronegócio não tem nada. Não é bom para os índios, nem para ninguém.”
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.