“PETO, CADÊ O CARA?”, PERGUNTA A MARCHA INCOMODE
19 de junho de 2019“PETO, cadê o cara?” foi a pergunta de centenas de jovens, ontem (18), que caminharam do bairro do Lobato até o Parque São Bartolomeu em protesto contra o genocídio e hiperencarceramento da juventude negra da Bahia, na Marcha INCOMODE.
Organizada pelo coletivo INCOMODE, a marcha aconteceu pelo segundo ano consecutivo, levando inúmeras famílias a reclamar os reincidentes casos de homicídios e desaparecimentos de jovens durante as operações realizadas nas comunidades periféricas.
A ação também teve como proposta mobilizar a população negra e revelar o protagonismo da juventude suburbana na luta contra o extermínio, preenchendo a avenida com adolescente engajados em projetos sociais, coletivos políticos e culturais que atuam na cidade denunciando o agravamento da violência sobre a vida dos amigos e sobre suas próprias vidas.
Estatísticas – Segundo o Atlas da Violência 2019, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a Bahia é um dos 15 estados brasileiros que apresentam taxas de homicídio dejovens acima da média nacional. Enquanto o Brasil apresenta o índice de 69,9 assassinatos a cada 100 mil jovens, a Bahia registra a taxa de 119,8 homicídios, considerando o mesmo quadro amostral.
O estudo também mostra que, em 2017, 75,5% das vítimas de homicídios no Brasil forampessoas negras (soma de indivíduos pretos ou pardos, segundo classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE). De 2007 a 2017, a taxa de homicídio de negros cresceu 33,1% no País; a de brancos apresentou crescimento de apenas 3,3%.
Jovens e negros são também maioria entre a população carcerária no Brasil, que em 2016 chegou a um total de 726,7 mil, segundo dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen). Mais da metade desse segmento era formado por jovens de 18 a 29 anos e 64% do total eram negras.
Mais que um ato público para denunciar a violência do Estado sobre jovens, a Marcha foi palco para convidar a população a pensar na luta pela vida e sobre o direito à cidade que é todo tempo negada aos jovens negros.
Para Carolaine Santos (22), “Estar na Marcha é perceber que eu não estou sozinha nas minhas aflições,, enquanto jovem mulher negra que sai de casa e nunca sabe se volta. Me sinto fortalecida ao saber que se por alguma motivo eu não conseguir voltar pra minha casa, essas vozes não se calarão”, desabafa.
Tatiane Anjos (29), conselheira de juventude do Estado da Bahia, também esteve presente na Marcha e avaliou a importância de ações mais afastadas das regiões centrais. “É preciso ocupar toda cidade, principalmente nos bairros mais afastados do Centro, para dar voz e vez à juventude que sofre com todo tipo de violência e muitas vezes não tem oportunidade de denunciar. A Marcha é uma oportunidade de nos conhecermos, compartilhar dores, mas, sobretudo, ampliar juntos nossas estratégias de resistência.”
Na finalização da atividade, os jovens se reuniram no Parque São Bartolomeu para apreciar as apresentações artísticas dos grupos presentes. Poesia, dança e Hip Hop marcaram o encerramento da Marcha com mães, familiares e amigos de vítimas que assumem o compromisso de continuar a denunciar a violência policial nas comunidades, exigindo a resposta: “PETO, cadê o ‘cara’?”
Fonte: Revista Quilombo.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.