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Organizações selecionadas na Chamada de Projetos Mobilizando Recursos Locais 2019 recebem formação no Programa Virando o Jogo
17 de junho de 2019


Representantes de organizações e movimentos sociais do Acre, Tocantins, Piauí, Ceará, Pernambuco, Sergipe, Bahia, Goiás e Mato Grosso do Sul, que tiveram seus projetos aprovados na Metodologia Dupla Participação, participaram entre os dias 11 e 15 de junho, em Salvador (BA), da Oficina sobre Mobilização de Recursos Locais. O curso faz parte do programa Virando o Jogo, ministrado no Brasil pela CESE, parceira da organização Gansos Selvagens (idealizadora do programa) e MDF.
A chamada de Projetos realizou-se por meio de carta-convite endereçada para cerca de 200 entidades do país, que tivessem suas propostas voltadas para a luta pela resistência frente ao rebaixamento dos direitos e a agenda conservadora do governo. Por meio do apoio a projetos, a CESE estimula que esses grupos mobilizem metade do recurso necessários para realizar seu projeto e em seguida dobra o valor obtido. E para ampliar a capacidade dos grupos neste desafio, a CESE ofereceu a formação para fortalecer as organizações e ampliar o alcance do recurso.


Gislene Bulhões, do Centro de Formação e Organização Comunitária – CEFORC, destaca a leveza como os assuntos foram abordados e descreve como a formação irá fortalecer a instituição: “O curso veio em um momento chave para organização não só para fortalecer a mobilização de recursos, mas para traçar novos caminhos para buscar apoios. O método trazido pelas facilitadoras foi muito bom, trocamos experiência e aprendemos de forma descontraída.”, afirma a representante da baiana da cidade de Livramento.
Durante os cinco dias de oficina os/as participantes refletiram sobre mobilização como estratégia para a sustentabilidade institucional; planejamento, elaboração e monitoramento de um plano de mobilização de recursos locais através do portal; e construção de instrumentos de comunicação capazes de motivar a adesão de indivíduos às causas das organizações.


Além disso, a formação foi composta de uma enriquecedora roda de conversa sobre os desafios da atual conjuntura e a sustentabilidade das organizações da sociedade civil, na perspectiva da mobilização de recursos e nas estratégias coletivas de interlocução pública. Para esse momento, a CESE contou com a contribuição de Cátia Cardoso, diretora executiva da Cáritas Brasileira Nordeste 3, e de Felipe Estrela, presidente Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia – AATR.


Para Gabriela Monteiro do Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR-NE) o curso foi uma oportunidade de aprendizados e reflexões: “Para nós do MMTR-NE essa temática tem sido fundamental. Estamos vivendo um período muito complicado na conjuntura brasileira e isso impacta diretamente na nossa sustentabilidade. Todas as discussões que fizemos nos últimos dias, além do aprofundamento dos exercícios na plataforma, têm sido muito úteis e certamente tem nos desafiado a pensar fora da caixinha.“, pondera a participante de Caruaru Pernambuco.
Para a oficina, a CESE reservou-se do direito de selecionar as propostas da Chamada que considerou mais relevante, e também de convidar duas organizações parceiras para capacitação: Odara – Instituto da Mulher Negra e COIAB – Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira.
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VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.