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Organizações baseadas na fé, pastorais e movimentos sociais realizam ato em defesa da Democracia na Praça da Piedade, em Salvador
28 de outubro de 2022
Vos salve Deus. Os Orixás, o Universo, a Democracia, as pessoas, as religiões, toda Igreja, o Sol Nascente, a Caridade, a Natureza, o Profeta, o Povo Santo: onde mora Deus. Com esse canto, um grupo ecumênico e inter-religioso se reuniu na Praça da Piedade no fim da tarde desta quinta-feira (27) para um ato em defesa da Democracia brasileira. O momento foi marcado pela diversidade de religiões e de segmentos da sociedade civil presentes.
O encontro foi realizado por organizações baseadas na fé, pastorais e movimentos sociais. Quis o destino que o Coletivo Poesia Além das 7 Praças estivesse no local no mesmo horário também para a realização de um ato democrático. A coincidência fez os grupos unirem suas vozes e entoarem juntas o amor de Deus e a poesia libertária de Luís Gama, de Carolina Maria de Jesus e poemas autorais de mulheres negras ali presentes.




Freiras, poetas, artistas, pastores, reverendas, candomblecistas, umbandistas, organizações da sociedade civil, ecumênicas, inter-religiosas, coletivos populares, jovens, músicos, estudantes. Um movimento diverso em nome da paz, do respeito, da equidade, da justiça, dos direitos socioambientais, da liberdade religiosa, da defesa do povo negro, dos povos e comunidades tradicionais: em defesa da Democracia em sua plenitude!


O ato teve por objetivo unir diferentes segmentos da sociedade civil para denunciar a relação nociva dos fundamentalismos político e religioso e falar em nome do esperançar. Para Bianca Daébs, pastora da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) e Assessora de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da CESE, esse é o ponto chave. “Se nós nos unimos e dialogamos, a Democracia vence”.
Henrique Peregrino da Trindade destacou que o que une tão fortemente diferentes religiões é a fé e isso é fundamental. “A nossa fé nos faz acreditar que a Democracia é a única maneira de respeitar todas as pessoas desse país. Não há como fazer isso sem Democracia. Chegamos até o final dessa tarde porque a nossa fé nos motivou. Todas as religiões vieram pela paz e sabem que a Democracia é o único caminho.”
Edmilson Sales, da Comissão da Caminhada dos Terreiros do Engenho Velho da Federação, relembrou a música “Para não dizer que não falei das flores”, conhecida por ser um grande hino de resistência contra a ditadura militar (1964-1985). “Eu sou do Candomblé, mas também vou nas igrejas católica, metodista, adventista: onde se fala de amor, eu estarei lá, como falamos no meu terreiro, que tem 300 anos. Porque lá está a vida. Viva a Democracia!”
Ruben Siqueira, coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra, classifica como extraordinária a coincidência do encontro dos movimentos na Praça. “É o pessoal do melhor da vida, do lado mais humano, amoroso, fraterno e dialogante com as forças vivas da natureza. Não é só a Democracia que está em risco, mas também os melhores valores que nos constituem enquanto nação brasileira, como humanidade no planeta terra. Estamos aqui para reforçar o melhor da vida, que também é carga do sentimento que levaremos às urnas no domingo”.
Após a realização do primeiro momento na Praça da Liberdade, os grupos se dirigiram para a Estação da Lapa, onde encontram outros movimentos sociais e foi realizado um segundo ato conjunto em defesa da Democracia.
Veja as fotos do ato aqui.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.