Oficina Sobre Gênero e Elaboração de Projetos articula mulheres do Cerrado
28 de agosto de 2017
Mulheres de diversas organizações se reuniram em Montes Claros (MG), nos dias 22 a 26 de agosto, para participarem da “Oficina Sobre Gênero e Elaboração de Projetos”. O encontro reuniu dez grupos de mulheres do cerrado (agricultoras, extrativistas, quilombolas) na Área de Experimentação e Formação em Agroecologia e foi organizado pela Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), em parceria com a agência de cooperação internacional HEKS-EPER

Um dos objetivos da formação está voltado para o fortalecimento do protagonismo das mulheres no âmbito do Programa País HEKS/EPER, mediante a realização de um processo de formação em gênero e elaboração de projetos com parceiras de CESE/HEKS Brasil, cujo foco, além do aprofundamento das concepções de gênero a partir das experiências concretas, visa também fortalecer capacidades em torno da elaboração de projetos, contribuindo para que as mulheres possam, compreendendo melhor sua realidade, estabelecer propostas de superação de algumas dessas dificuldades.

Na noite de quarta (23 de agosto) foi realizada uma roda de conversa sobre “Resistência das Mulheres no Cerrado e na Caatinga”, na sede do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA/NM), no Solar dos Sertões. Foram apresentadas as conquistas da luta da mulher do campo, e discutidas as formas de enfrentamento dessas frente ao contexto de governo ilegítimo. A atividade foi aberta ao público em geral e contou com a presença de mulheres participantes da “Oficina Sobre Gênero e Elaboração de Projetos”. O debate foi animado pelos tambores de Fabiana Lima e Bruno Andrade.
(Com informações da comunicação do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas – CAA/NM)
Crédito das fotos: CAA/NM
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!