Nota em solidariedade aos Guarani e Kaiowá
27 de setembro de 2023
O Racismo Religioso e o Discurso de Ódio matam Lideranças Religiosas Tradicionais no Brasil

No dia 18 de setembro, os corpos da liderança religiosa Ñandesy Sebastiana Galton, 92 anos, e de seu companheiro Rufino Velasquez, do Povo Guarani e Kaiowá, foram encontrados carbonizados na Terra Indígena Guasuti, no município de Aral Moreira, no Mato Grosso do Sul, na casa onde viviam. Relatos informam que ameaças foram feitas dias antes dos assassinatos, envolvendo arrendamentos ilegais, intolerância e racismo religioso contra as suas práticas religiosas.
A Ñandesy Sebastiana era uma liderança religiosa reconhecida por guardar incontáveis rezas tradicionais (mborahé, ñembo’e) Kaiowá. Junto foi destruído o Xiru Ñandesy, um símbolo religioso similar a um oratório, responsável pela guarda de seres e poderes espirituais.
No dia 29 de junho de 2023, a Kuñangue Aty Guasu – Grande Assembleia Das Mulheres Kaiowá e Guarani lançou o Dossiê “O Racismo e a Intolerância Religiosa: As sequelas de invasões (neo)pentecostais nos Corpos Territórios das Mulheres Kaiowá e Guarani/MS”, denunciando as violações ao sagrado direito à liberdade religiosa contra o sagrado Kaiowá e Guarani (https://drive.google.com/drive/folders/1O7tLDZBGznFIJjkEKQmNoqPC7VWACF0V?usp=sharing).
Alice Wairumi Nderuti, Assessora Especial da ONU para a Prevenção ao Genocídio e o Discurso de Ódio, esteve no Brasil de 1 a 12 de maio desse ano, para realizar visitas oficiais aos estados de Roraima, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.
Junto com a ACT ALLIANCE, o Fórum Ecumênico ACT Brasil – FE ACT BRASIL e a Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil – AMDH-BRASIL organizaram os encontros da sociedade civil brasileira no DF, MS e RJ, em parceria com IBASE, Justiça Global, CIMI, CONIC, FLD, KOINONIA, PROJETO LEGAL.
Em seu relatório final, a Assessora Especial afirmou que ‘Os povos indígenas são alvo constante de discursos de ódio que os discriminam, usam como bodes expiatórios e os desumanizam, tornando mais fácil marginalizá-los e atacá-los. Se esse discurso de ódio não for controlado, pode se transformar em incitação à discriminação, hostilidade ou violência, o que é proibido pela lei internacional de direitos humanos, e pode levar a ataques violentos sistemáticos e generalizados contra a população indígena no Brasil”.
O racismo religioso, aliado ao assédio aos territórios tradicionais pelo agronegócio, vem produzindo discurso de ódio, intolerância e violência religiosa contra os saberes, as crenças e as práticas tradicionais dos povos indígenas. A monocultura em grande escala é responsável por crimes de lesa humanidade contra os povos e comunidades tradicionais no Brasil.
É urgente que o Estado Brasileiro investigue os crimes de racismo religioso e condene grupos e pessoas responsáveis, que garanta a proteção de lideranças religiosas ancestrais, em especial as mulheres, como Ñandesy Sebastiana Galton e Mãe Maria Bernadete Pacífico.
Porto Alegre/RS, 27 de setembro de 2023.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.