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Nota do Fórum Ecumênico Brasil sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes
20 de março de 2018
Pois não há sinceridade, nem amor ao próximo,
nem conhecimento de Deus na terra.
Multiplicam-se mentiras, assassinatos…:
sangue derramado segue-se a sangue derramado.
Por isso, a terra está desolada” (Os 4.1c -3)
O Fórum Ecumênico ACT – Brasil, integrado por igrejas e organizações baseadas na fé, expressa sua solidariedade aos familiares, amigos e amigas, militantes sociais e ao PSol pelo assassinato da vereadora e ativista Marielle Franco e de Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018.
Marielle, mulher, negra comprometida com as lutas e as causas das populações periféricas é uma das muitas mortes de ativistas de direitos humanos que ocorreram nos últimos meses em nosso país. Nesta declaração, lembramos os nomes das lideranças assassinadas somente nesse ano de 2018: Paulo Sérgio Almeida Nascimento – líder comunitário no Pará (+13/03/2018), Márcio Oliveira Matos líder do MST – Bahia (+26/01/2018), Leandro Altenir Ribeiro Ribas – líder comunitário – Rio Grande do Sul (+19/01/2018), Jefferson Marcelo – líder comunitário – Rio de Janeiro (+04/01/2018), Carlos Antônio dos Santos – líder do movimento agrário – Mato Grosso (+08/02/2018), George de Andrade Lima Rodrigues – líder comunitário – Recife (+23/02/2018), Valdemir Resplandes – líder do MST – Pará (+09/01/2018).
Estas mortes refletem o cenário político e econômico de aumento do autoritarismo e foram provocadas pela desigualdade estrutural mantida pelas elites econômicas e políticas do país. Um projeto de país que não tolera sua população indígena e negra, as mulheres, as pessoas LGBTTs nem tolera trabalhadoras e trabalhadores organizados não pode superar a violencia ou construir uma democracia de fato.
O assassinato de Marielle apresenta características de execução. A Vereadora era relatora da Comissão responsável por acompanhar a intervenção de caráter militar na Cidade do Rio de Janeiro. O temor deste crime, assim como muitos outros, cair no esquecimento é alto. As investigações de sua morte e a de Anderson Gomes precisam ser imparciais, desvinculadas da própria intervenção militar e acompanhadas por organizações e setores da sociedade civil com capacidade e isenção. Isto porque é frágil a confiança por parte da sociedade civil em relação às instituições que deveriam zelar pela garantia dos direitos humanos.
Em função disso, expressamos nosso apoio para à recente criação da Comissão Externa que acompanhará as investigações do assassinato de Marielle Francco e Anderson Gomes, bem como da Comissão Externa que acompanhará intervenção militar no Rio de Janeiro. Também solicitamos oficialmente à ONU, em especial, ao Relator Especial das Nações Unidas para Execuções Extrajudiciais, Sumarias ou Arbitrarias que visite o Brasil a fim garantir a imparcialidade das investigações deste assassinato e que apresente suas próprias recomendações sobre o aumento de execuções de indígenas, afrodescendentes, mulheres, jovens, LGBTIQ, ocorridas nos últimos dois anos em nosso país.
O fascismo, o racismo, a misoginia e o ódio de classes não são compatíveis com uma sociedade democrática, nem tão pouco com nossa fé.
FORUM ECUMÊNICO ACT – BRASIL
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!