Nota de pesar e lamento pela morte de Graciela Chamorro
11 de fevereiro de 2026
A CESE une-se a todas as pessoas que lamentam a morte e se despedem da teóloga, antropóloga, pastora, professora, escritora e linguista Graciela Chamorro. Sua vida, pastorado e trajetória acadêmica foi dedicada à defesa intransigente dos direitos e da dignidade dos povos indígenas em especial Guarani Kaiowá e Nandeva. Seus estudos e sua luta se estenderam desde o Mato Grosso do Sul até o Sul do Brasil, Paraguai e Argentina. Sua atuação foi marcada pela interseção entre a ciência, a fé e o ativismo denunciando a violência e o genocídio sofrido por esses povos.
Como teóloga, pastora e pesquisadora possuía uma compreensão profunda e respeitosa da cosmologia e dos modos de existir destes povos contribuindo na preservação de suas práticas culturais e espirituais. Durante suas Missões Ecumênicas realizadas nos territórios Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul a CESE sempre contou com a presença sábia de Graciela que nos guiava e orientava, especialmente nos momentos de espiritualidade nos colocando em sintonia com a cosmovisão daqueles povos. Seremos eternamente gratas por termos convivido e aprendido tanto com Graciela nos Seminários e Rodas de Diálogo que realizamos. O seu legado servirá de inspiração e aprendizado através da sua vasta pesquisa e produção acadêmica.
A Equipe e a Diretoria Institucional da CESE enviam seu abraço solidário a familiares, amigas, amigos, comunidades indígenas e ao povo do Casulo na certeza que o testemunho e compromisso de Graciela Chamorro seguirão inspirando gerações e permanecerá vivo através da nossa luta por justiça e a defesa dos direitos dos povos indígenas que, segundo ela são os Missionários do Bem Viver.
Salvador, 11 de fevereiro de 2026
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.