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Fórum Ecumênico ACT Brasil discute sobre crescimento da cultura de ódio no país com CMI
29 de agosto de 2019As igrejas do Brasil precisam trabalhar mais unidas do que nunca para enfrentar a cultura da violência e as questões ambientais do país. Esta foi a mensagem dos participantes de uma mesa redonda ecumênica sobre o Brasil convocada pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI) em Genebra no dia 26 de agosto.
O encontro reuniu representantes de igrejas e organizações ecumênicas do Brasil e líderes do Conselho Mundial de Igrejas, da Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas, da Federação Luterana Mundial e da ACT Alliance.
O Secretário Geral do CMI, Rev. Dr. Olav Fykse Tveit, afirmou que o CMI vem acompanhando com crescente preocupação os eventos recentes relacionados ao meio ambiente, a conservação do Estado de Direito e os direitos humanos no país, assim como seus impactos sobre os Povos Indígenas e outras comunidades vulneráveis no Brasil.
A mesa redonda foi convocada como uma oportunidade para ouvir análises e entender as respostas dadas pelos líderes religiosos brasileiros, e também para reafirmar o compromisso do CMI e dos outros organismos religiosos internacionais presentes de intensificar o monitoramento e o apoio prestados às igrejas do Brasil em seus esforços para enfrentar esses desafios.
“Vamos trabalhar juntos para usar nossa voz pela justiça e pela paz. Acreditamos no poder do amor de Cristo em todo o mundo, cuidando de toda a criação de Deus”, disse Tveit. “Esse amor pode trazer reconciliação e união de formas que não vemos no momento”.
Os participantes da discussão concordaram que uma das questões prioritárias que as igrejas precisam enfrentar com voz comum é a cultura cada vez mais prevalente de violência no Brasil. Mesmo o cristianismo é frequentemente apresentado “com uma cara violenta”, compartilhou a Pastora Romi Márcia Bencke, Secretária-Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil (CONIC) – organização que representou no evento o Fórum Ecumênico ACT Brasil. “Temos a coragem de dizer que o Cristianismo é contra a violência? Precisamos dizê-lo; caso contrário, temos um problema com o significado da fé Cristã como tal”, disse Bencke.
Tendo em vista o número recorde de incêndios na floresta amazônica brasileira este ano, preocupações ambientais foram outro tópico de destaque no encontro. Além do significado vital da Amazônia no contexto das mudanças climáticas globais, também é importante considerar o impacto da biodiversidade e o crescente sofrimento dos povos indígenas que perdem seus lares e meios de subsistência tradicionais com a destruição do habitat da floresta. “Os incêndios na região amazônica devem ser tratados como uma crise nacional e internacional”, disse o Rev. Dr. Olav Fykse Tveit.
O Bispo Manoel João Francisco, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, compartilhou que um Sínodo sobre a Amazônia será convocado pelo Papa Francisco em outubro reunindo bispos de nove países da região amazônica.
“Esta não é uma questão política, mas sim uma questão episcopal, porque somos chamados a cuidar das pessoas afetadas”, disse o Bispo Francisco, que espera que o próximo Sínodo traga ideias e propostas para atender às necessidades das pessoas na região amazônica.
Fonte: Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!