CESE participa do “Encontro da Aliança Virando o Jogo” em Uganda
26 de fevereiro de 2025


Entre os dias 17 e 20 de fevereiro, a Coordenadoria Ecumênica de Serviço participou do “Encontro da Aliança Virando o Jogo”, em Kampala (Uganda). A iniciativa, que abrange cursos presenciais e online de mobilização de recursos locais e incidência política, é implementada no Brasil pela CESE e é desenvolvida também em países africanos, asiáticos e latino americanos, com apoio da organização holandesa Wilde Ganzen.
Mais de 40 participantes de organizações da sociedade civil se reuniram para elaborar estratégias sobre como aprimorar as ações localmente e como fortalecer a continuidade da aliança. A ideia é que coletivamente o Virando o Jogo possa contribuir e influenciar os processos de desenvolvimento e governança nos países das organizações membro.


Para Lucyvanda Moura, assessora de projetos de formação da CESE, os desafios da conjuntura global e as dificuldades de atuação para as organizações de defesa de direitos tornam atividades como essas extremamente importantes para fortalecer os laços dessa Aliança e construir estratégias comuns: “Estar em um encontro que reúne representantes de organizações de diversos países em torno de um objetivo comum é um grande aprendizado.”, afirma.
O encontro trouxe a discussão sobre o contexto geopolítico mundial e seus impactos para as organizações, o desenvolvimento da aliança, a angariação de fundos e os esforços de marketing para o ano de 2025. Além disso, foram realizadas diversas oficinas com apresentações das experiências exitosas das organizações parceiras, além de reuniões sobre a governança das parcerias, e o lançamento da logomarca comemorativa de 10 anos da iniciativa.
A Aliança ”Change The Game Academy (Virando o Jogo)”
A CESE é apoiada pela Fundação Wilde Ganzen desde 2007, através de apoio a projetos. Com o Aliança Change The Game já são 10 anos de parceria na área de formação em mobilização de recursos e incidência política.
São membros da Aliança ”Change The Game Academy (Virando o Jogo)”: Wilde Ganzen Foundation( Holanda), Kenya Community Development Foundation (KCDF/Quênia), Smile Foundation (Índia), The Institute for Monitoring and Evaluation (TIME /Siri Lanka), Association Burkina de Fundraising (Burkina Faso), CID – Nepal Center for Integrated Development, Corporación PODION (Colombia), CASA Gambia (Community Action Support Association/Gambia), e Satunama Foundation ( Indonésia).
Além de West Africa Civil Society Institute (Ghana), Development Expertise Center( Etiópia), West Africa Civil Society Institute (WACSI/Camarões), Advocacy and Policy Institute ( Camboja), Rhiza Babuyile ( África do Sul), Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE ( Brasil), Foundation for Civil Society (FCS/Tânzania) e Uganda National NGO Forum (Uganda), anfitriã do encontro.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.