CESE E CEBIC repudiam depredação em terreiro de candomblé em Juazeiro (BA)
30 de agosto de 2018A CESE- Coordenadoria Ecumênica de Serviço e o CEBIC – Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs vêm a público expressar seu repúdio e indignação diante do ataque ao terreiro de candomblé Ilê Abasy de Oiá Gnan, situado em Juazeiro (Bahia), realizado no dia 26 de agosto.
Segundo mídias locais, o local foi apedrejado durante todo o dia. Assustada, a yalorixá Adelaide Santos, de 66 anos, precisou ser retirada por familiares do terreiro que conduz há mais de quatro décadas para evitar uma crise de hipertensão.
A expressão de intolerância religiosa contra o Ilê Abasy de Oiá Gnan não foi um episódio isolado. Os ataques ao terreiro vêm acontecendo desde 2015, quando o local também sofreu arrombamento e as paredes foram pintadas com cruzes.
É com preocupação que recebemos mais essa notícia de violências impetradas a terreiros de candomblé. A agressão se insere em um cenário de crescentes retrocessos de direitos no Brasil e de fortalecimento do fundamentalismo religioso. Também revela uma das facetas do racismo: o religioso, que se baseia em um processo histórico de exclusão e negação das religiosidades de matriz africana. Atos de intolerância religiosa se espalham pelo Brasil e o Estado da Bahia é um dos Estados com maior número de casos. Conforme dados da SEPROMI, entre 2013 e 2018 houve 135 ocorrências. Só este ano já foram 29 casos.
Como organizações ecumênicas, CESE e CEBIC não podem compactuar nem se calar diante desses atos de vandalismo. Somos organizações formadas por igrejas que dialogam ecumenicamente e não podemos aceitar nenhum tipo de intolerância e violência em nome da fé em Jesus Cristo. Reconhecemos o direito à liberdade religiosa e prezamos pelo respeito entre as religiões, porque o Cristo em que cremos nos ensinou o amor e a convivência com a pluralidade.
CESE e CEBIC cobram posicionamento imediato da Secretaria de Segurança Pública, a fim de que sejam assegurados os direitos à cultura e liberdade religiosa, ambos garantidos na Constituição Brasileira. Para nós, além de identificar é preciso responsabilizar quem realiza tais atos de violência. Além disso, é necessário que se faça uma profunda discussão sobre o papel da religião na sociedade brasileira.
Queremos expressar nossa solidariedade, nosso amor fraternal e sororal a todas as comunidades religiosas afro-brasileiras, aqui em especial ao terreiro de candomblé Ilê Abasy de Oiá Gnan, e assumimos o compromisso de denunciar atos de intolerância, promover o diálogo para a superação dos preconceitos e reafirmamos o estado laico como condição essencial para a promoção do respeito entre as religiões.
CESE e CEBIC
Mais informações:
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VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.