CESE apoia participação de povos indígenas no 19º Acampamento Terra Livre
19 de abril de 2023


Entre os dias 24 e 28 de abril, povos indígenas de todo Brasil se reúnem em Brasília para a 19ª edição do Acampamento Terra Livre. Este ano, o tema será “O futuro indígena é hoje. Sem demarcação não há democracia!”. Ao longo dos seus 50 anos, a CESE sempre esteve ao lado dos povos originários e em 2023 se soma mais uma vez às mobilizações apoiando a ida de diversos grupos para o ato.
A CESE apoiou mobilizações de grupos para o ATL em todas as suas 19 edições. Neste ano, um total de R$ 110.393 já foram destinados a 209 beneficiárias/os de dezenas de povos – Munduruku, Arapiun, Tupinambá, Pankararu, Pataxó, Tukano, Guarani, Desana, Kaigang, Xokleng, entre outros – espalhados por 6 estados diferentes – Bahia, Pernambuco, Amazonas, Pará, Rio Grande do Sul e São Paulo.
O ATL é organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e construído em conjunto com suas organizações de base. Segundo a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Brasil possui cerca de 680 territórios indígenas regularizados e mais de 200 aguardam análise para serem demarcados.
Em 2022, o Acampamento Terra Livre reuniu em Brasília mais de 8 mil indígenas, de 100 povos diferentes e de todas as regiões do Brasil. Durante dez dias de programação, o ATL debateu o enfrentamento da agenda anti-indígena imposta pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e o fortalecimento de candidaturas indígenas para o Congresso Nacional.
Uma das maiores expressões do compromisso da CESE com os povos indígenas nesses 50 anos de existência é o suporte financeiro a pequenos projetos que expressam a luta pela resistência e pela garantia de direitos culturais e territoriais do segmento. Nos últimos 15 anos, foram 578 iniciativas apoiadas através do Programa de Pequenos Projetos, num total de R$ 5.855.541 aplicados, beneficiando aproximadamente de 350 mil indígenas.
O coordenador de Projetos e Formação da CESE, Antônio Dimas Galvão, relembra que os apoios da organização ao movimento vão além dos pequenos projetos, citando o fortalecimento específico durante três anos à Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espirito Santo (Apoinme) através do Programa de Apoio Estratégico, para fortalecimento de redes, e de uma campanha em parceria com a própria Apib, que oferecia apoio emergencial a povos indígenas durante a pandemia de covid-19, fornecendo desde alimentos a material hospitalar.
“Apoiamos grupos locais ou instâncias mais regionais, mobilizações, campanhas, e também dando visibilidade e demonstrando solidariedade às causas através das missões ecumênicas, promovemos formações sobre gestão, comunicação, capacitações em prestação de conta, planejamento, apoio jurídico para regularização de associações. Desde a sua fundação, a CESE se propõe a estar ao lado dos movimentos indígenas.”
Ao longo de sua trajetória, como organização ecumênica, a CESE segue reafirmando seu compromisso com a luta dos povos indígenas por seus direitos culturais e territoriais. No movimento ecumênico, espaço prioritário de atuação, tem trabalhado para sensibilizar igrejas e organizações à solidariedade e ao engajamento nessa causa, sobretudo na realização de ações de incidência em situações concretas de violência.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)