CEBIC promove manhã de estudos sobre Fé e Política
30 de julho de 2018



Na manhã de sábado, dia 27 de julho, o Conselho Ecumênico de Igrejas Cristãs – CEBIC se reuniu nas dependências da Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE para trabalhar o tema trabalhando o tema: Fé e Política: Caminhos de resistências e esperança. E contou com representações da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Igreja Evangélicas de Confissão Luterana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Batista de Nazaré e Igreja Católica Independente Estiveram presentes ainda representantes da Pastoral Fé e Política, da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e da CESE.
Iniciamos a manhã de estudos com uma palavra de acolhimento das Reverendas Sônia Mota e Bianca Daébs. Em seguida foi realizada uma dinâmica de apresentação e sensibilização, falando sobre os nossos sentimentos sobre o Brasil hoje. As palavras que mais apareceram neste momento foram: angústia, opressão, divisão, indignação, intolerância e violência. Em seguida, cantamos juntas “Se calarem a voz dos profetas, as pedras clamarão, se fecharem os poucos caminhos, mil trilhas nascerão, muito tempo não dura a verdade, nessas margens estreitas demais, Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais…”



A Reverenda Sônia Mota da Igreja Presbiteriana Unida fez uma breve reflexão acerca da atual situação política do Brasil e, na sequência, foram apresentados os trabalhos desenvolvidos pela Pastoral Fé e Política e pela Frente Evangélica pelo Estado de Direito. Em seguida, abrimos o debate sobre: Como a nossa fé pode nos ajudar a exercer a Cidadania Profética?
Após um breve intervalo as pessoas se reuniram em pequenos grupos e buscaram responder a duas perguntas: 1. O que é inegociável nesta Eleição? e 2. O que não pode faltar no plano de governo? Para a primeira questão as respostas com maior incidência foram: o voto, as políticas voltadas à garantia de Direitos Humanos, a manutenção da via do diálogo, a democracia e a ficha limpa. Para a segunda pergunta as respostas foram: proposta na área de saúde e educação; Propostas que não reduzam direitos como a reforma da previdência social e a ética.
Na culminância da manhã de estudos sobre Fé e Política, as pessoas foram convidadas a “esperançar”… a sonhar e lutar por um Brasil melhor, então elas resgataram as tarjas com os sentimentos do início e escreveram seus sonhos. As principais palavras registradas foram: mudanças, transformação e justiça. Depois de uma pequena síntese da manhã foram distribuídos exemplares da edição comemorativa dos 70 anos da Carta de Direitos Humanos editada pela CESE, e a cartilha Decálogo para bons votos em 2018 de autoria da Aliança Evangélica.
Concluímos cantando… “Se é para ir para luta eu vou! se é pra tá presente eu tô! Pois na vida da gente o que vale é o amor…” E todos fomos para mais um momento de Comunhão, a Feijoada do CEBIC feita com muito carinho pelo Reverendo Anglicano Bruno Almeida.



Fonte: CEBI (Centro de Estudos Bíblicos)
Crédito das fotos: Thiago Rolim
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.