Brasil de Fato lança podcast em parceria com a CESE
15 de maio de 2023

O jornal Brasil de Fato lança nesta segunda-feira (15), em parceria com a CESE, o podcast “No Rastro das Lutas: movimentos populares abrindo caminhos para a democracia e direitos no Brasil”. A série abordará a luta dos movimentos no passado e no presente para mostrar que os direitos conquistados até aqui não vieram de graça e as disputas continuam até hoje.
O primeiro episódio está disponível no site do Brasil de Fato.
Os caminhos para defesa de direitos e da democracia quase sempre são longos e tortuosos. Cada passo dado, cada conquista e cada resistência envolve o trabalho de muita gente e por muitos anos. Os movimentos populares têm um papel fundamental nesse processo.
Para Viviane Hermida, assessora de projetos e formação da CESE, essa iniciativa é extremamente importante para dialogar com a sociedade e também fazer um contraponto aos veículos hegemônicos: “Diante do avanço da extrema direita, me parece mais importante ainda que as organizações de defesa de direitos se comuniquem com as pessoas, mostrem que os direitos e a democracia, mesmo com suas fragilidades, foram fruto de muita luta coletiva.” E complementa, em referências às constantes ameaças sofridas por nosso regime político: “E também que nada está garantido e devemos nos manter vigilantes para não permitir retrocessos e abrir novas perspectivas.”
Nos próximos meses, a equipe de jornalismo do Brasil de Fato Bahia conversa com representações que participaram da construção das lutas populares no passado e outras que dão continuidade a elas hoje. “Trazer à memória os sujeitos que atuam nas várias causas, em vários momentos históricos, demonstrando o papel dos movimentos populares nas mudanças positivas que tivemos e que desejamos reafirma aquilo que escutamos no dia-a-dia nas ruas e nas redes: “só a luta muda a vida””, afirma Hermida.
Cada episódio abordará um tema diferente. O primeiro da série aborda a luta dos povos indígenas a partir dos depoimentos de Chico Apurinã e Cristiane Julião Pankararu.
Francisco Batista Apurinã, conhecido Chico Apurinã dentro do movimento indígena, é membro da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, a Coiab, liderança histórica do povo Apurinã e faz parte do movimento indígena desde 1985. Ele teve uma importante participação nas mobilizações para a constituinte que aconteceria entre 1987 e 1988.
Cristiane Julião pertence ao povo Pankararu, dos sertões de Pernambuco e está no movimento indígena desde 2005. Ela é mestre e doutoranda em Antropologia Social pela UFRJ. Também foi articuladora do Voz das Mulheres Indígenas, iniciativa implementada pela ONU Mulheres para o empoderamento e mobilização social.
Essa é mais uma iniciativa que se relaciona com as ações dos 50 anos da CESE, trazendo uma abordagem voltada para sensibilização da sociedade acerca da contribuição social, cultural, econômica e política dos movimentos sociais no país. A produção do podcast No Rastro das Lutas conta com apoio do programa Doar para Transformar.
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VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!