Agência internacional cobra ação do STF e se solidariza a grevistas de fome
27 de agosto de 2018
O corpo não é composto de um só membro, mas de muitos… Os membros do corpo que parecem mais fracos são indispensáveis… Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele.” (cf. 1 Cor 12,1-31)
Apelo urgente ao Supremo Tribunal Federal do Brasil
É com intensa solidariedade com as sete pessoas em greve de fome que mandamos a nossa carta. A greve de fome dos sete ativistas pela Democracia, as nossas queridas irmãs Rafaela Alves e Zonália Santos, os nossos estimados irmãos Jaime Amorim, Vilmar Pacífico, Luiz Gonzaga Silva e Leonardo Soares, e o nosso prezado Frei Sergio Görgen, nos toca, comove e move.
No nível internacional circulam diariamente mensagens que nos mostram a situação precária na qual o país está. Os/as grevistas estão dando um rosto ainda mais concreto a este cenário chocante do Brasil onde a Ação Misereor já atua há quase seis décadas apoiando as justas causas dos grupos marginalizados como os povos indígenas, as comunidades tradicionais, as populações nas periferias urbanas e muitos outros grupos, Temos um conhecimento amplo e profundo da conjuntura atual.
Apoiamos as demandas que os/as grevistas fazem ao Governo Brasileiro e ao STF como também assinamos as Notas Públicas e os apelos da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil junto com tantas organizações e movimentos parceiros.
Queremos apontar o Mapa da Violência que fala de mais de 63.880 pessoas assassinadas durante o ano passado e os números sobem cada dia mais. Diariamente mais de 175 pessoas são assassinadas, sendo que entre elas o grupo de negros jovens e de mulheres se destaca. O Relatório Periódico Universal (RPU) 2017 confirmou que o Brasil é um país onde os direitos humanos estão sendo desrespeitados.
É dever e responsabilidade do Governo Brasileiro e de suas instâncias, como o Supremo Tribunal Federal, ouvir a voz das pessoas que arriscam a própria vida pela Justiça.
Apelamos à consciência dos responsáveis pela Justiça da qual brota paz que atendam às demandas claras e concretas dos/das grevistas com os quais, mais uma vez, nos solidarizamos. A elas/eles e às suas famílias e amigos/as nosso profundo agradecimento por esse sacrifício e pelo compromisso com a justiça.
Ao Supremo Tribunal Federal nosso urgente apelo para que atenda a justa reivindicação dos/as grevistas em favor da justiça e da Paz.
Malte Reshöft
Chefe do Dept. América Latina
Aachen, 24.08.2018
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.