<a href="https://www.cese.org.br/entidades-lancam-campanha-para-combater-fundamentalismo-religioso/"><strong>Entidades lançam campanha para combater fundamentalismo religioso</strong></a>
19 de agosto de 2020

Na última segunda-feira, 17 de agosto, foi lançada a campanha Tire os Fundamentalismos do Caminho! Pela Vida das Mulheres. Para dar o pontapé inicial, organizações feministas e entidades religiosas – cristãs, afro brasileiras e indígenas – organizaram uma live que discutiu, entre outros assuntos, o papel do fundamentalismo no cerceamento dos direitos das mulheres.
O caso da menina de 10 anos estuprada pelo próprio tio pautou parte das discussões. “O lançamento da campanha faz ainda mais sentido, mostra a sua relevância e a sua urgência diante do que vivemos nos últimos dias com uma menina de 10 anos. Mostra toda a fúria e a violência dos grupos fundamentalistas e a desumanidade que esses grupos impões a nós mulheres contra a nossa vida, como se mostrou no caso dessa menina já submetida desde tão cedo à violência dos homens e do patriarcado, por meio do estupro. Foi também submetida à violência do Estado e à violência da ação dos grupos fundamentalistas. Essa situação nos provoca e nos conclama organizar a nossa revolta, organizar a nossa indignação contra os fundamentalismos, sua força e sua fúria contra nossas vidas e nossos corpos”, declarou Verônica Ferreira pesquisadora e educadora do SOS Corpo.
A campanha tem como objetivo alertar a sociedade brasileira sobre o avanço dos fundamentalismos e o risco que isso representam à vida das mulheres. A ação também tem como finalidade reafirmar a importância da pluralidade de crenças e apontar caminhos e práticas que levem à uma cultura de respeito e de valorização da diversidade.
Para a advogada e militante Vera Baroni, “o fundamentalismo hoje se transformou em política de governo”, e acrescenta que essa é uma “violência que não é nova, mas que vem crescendo a cada dia em nosso país”. Ela também afirma que vivemos um fundamentalismo escondido por trás do evangelho de Jesus de Nazaré, “que na verdade é um fundamento político, um projeto de poder que se funda no racismo presente em nossa sociedade”.
Representando as tradições indígenas, Elisa Pankararu lembra que o fundamentalismo religioso esteve presente em todas as épocas da história, e que Brasil, em relação aos povos indígenas, trouxe enormes prejuízos. “Esse fundamentalismo religioso, que tem como base o monoteísmo, quando chega aos nossos territórios traz uma imposição, uma invasão uma violação às nossas formas harmônicas de viver. Ele atinge diretamente as harmonias dos nossos coletivos, agride e viola os nossos territórios, corpos e espíritos”, pontuou.
Romi Bencke, secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), disse que a campanha era uma boa oportunidade para a autocrítica. “São as mulheres negras, as mulheres indígenas as que mais cotidianamente são atingidas pelos fundamentalismos. É um fundamentalismo que tem base religiosa, mas que também é político, econômico, racista e patriarcal. Infelizmente, no continente latino-americano têm se manifestado por uma matriz religiosa cristã. Então, para nós cristãs e cristãos, essa campanha serve como chamado à autocrítica, mas não uma autocrítica momentânea, uma autocrítica permanente. Será que nos identificamos realmente que a fé em Jesus Cristo seja associada com atitudes de racismo, de violência, de exclusão, de apedrejamento público? Será que isso mesmo que nós queremos?”.
GT de Comunicação da Campanha
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)