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Buyìn Dudu: Honraria celebra luta de mulheres negras por memória, direitos e combate ao racismo na Paraíba

25 de fevereiro de 2026

O reconhecimento e valorização da trajetória de lideranças que atuam em defesa dos direitos humanos e na luta antirracista é um dos objetivos do projeto “Buyìn Dudu: Recontando nossas histórias e ampliando a mobilização da Paraíba rumo à 2ª Marcha das Mulheres Negras”. Promovida pela Abayomi – Coletiva de Mulheres Negras na Paraíba, a iniciativa busca celebrar a caminhada de personalidades que se destacam pela sua atuação política, social, cultural e comunitária no estado. Em 2025, o título chegou a sua sétima edição e também envolveu diversas atividades de formação e mobilização de jovens e mulheres.

O Buyìn Dudu, que significa “honraria negra” em iorubá, nasceu do compromisso da Abayomi de reconhecer e celebrar mulheres negras enquanto estão vivas, atuantes e transformando seus territórios. É o que explica Pery Camilo, jornalista e ativista da coletiva.

“Em um país onde nossas existências são constantemente atravessadas por violência e apagamentos, homenagear essas trajetórias é um gesto político de afirmação, memória e reparação. Ao realizar esta edição com visitas aos territórios, encontros afetivos e registro das histórias, fortalecemos a autoestima coletiva, visibilizamos legados e reafirmamos o protagonismo das mulheres negras como construtoras de vida, cultura e resistência na Paraíba”, destaca.

A solenidade de entrega do título foi realizada em julho deste ano, como parte da programação do Julho das Pretas no estado, e homenageou seis mulheres negras: Mãe Rita Preta, uma das fundadoras da Umbanda na Paraíba; Mestra Cida de Caiana, mestra de Ciranda e Coco de Rosa; Luza Maria prostituta e coordenadora da Associação das Prostitutas do estado; Jadiele Berto, gestora Pública; e Rossana Holanda e Rayssa Holanda, irmãs gêmeas e afro-empreendedoras. A escolha das homenageadas buscou reunir mulheres jovens, adultas, anciãs, atuantes em diferentes áreas, mostrando que a luta das mulheres negras é ampla, contínua e plural.

“Essa escolha foi intencional: queríamos revelar que nossas contribuições não cabem em um único campo e que a força do movimento se constrói na conexão entre diferentes experiências e saberes. Essa pluralidade reforça que o protagonismo negro é múltiplo, profundo e estruturante para a sociedade paraibana, para a sociedade brasileira”, explica Camilo.

Política de memória e fortalecimento

Além de fortalecer a autoestima coletiva, visibilizar legados e reafirmar o protagonismo das mulheres negras como construtoras de vida, cultura e resistência, o projeto também teve um importante papel neste ano: fortalecer a mobilização para a 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver. Desde iniciativas de comunicação, produção de materiais dedicados à Marcha na Paraíba, até a realização de rodas de diálogo e oficinas, o Buyìn Dudu buscou amplificar o chamado para a histórica mobilização nacional, que levou milhares de mulheres às ruas de Brasília (DF) no mês de novembro. Diante das diversas atividades realizadas, Pery Camilo avalia de forma muito positiva todo o projeto.

“O  Buyìn Dudu mostrou sua potência como política de memória e fortalecimento do protagonismo das mulheres negras. O evento ampliou a presença da Organização e aprofundou o sentimento de pertencimento à luta. Como perspectiva, fizemos o registro audiovisual de todas as homenageadas, criamos materiais nas redes sociais a partir das histórias narradas pelos familiares, amigos e amigas das homenageadas, e consolidamos o Buyìn Dudu como um evento da agenda do Julho da Pretas e de permanente valorização, mobilização e incidência antirracista na Paraíba”, destaca.

Para a jornalista, o apoio da CESE foi fundamental para garantir que neste ano o projeto acontecesse com mais estrutura e com maior impacto político.

“Para a Abayomi/PB, a CESE demonstrou sensibilidade e compromisso ao apoiar iniciativas que colocam mulheres negras no centro da transformação social. Esse apoio potencializou nosso protagonismo e reafirmou a importância de investir em ações que valorizam e fortalecem a luta antirracista no país”, finaliza.

Programa de Pequenos Projetos

Desde a sua fundação, a CESE definiu o apoio a pequenos projetos como a sua principal estratégia de ação para fortalecer a luta dos movimentos populares por direitos no Brasil.

Quer enviar um projeto para a CESE? Aqui uma lista com 10 exemplos de iniciativas que podem ser apoiadas:

  1. Oficinas ou cursos de formação
  2. Encontros e seminários
  3. Campanhas
  4. Atividades de produção, geração de renda, extrativismo
  5. Manejo e defesa de águas, florestas, biomas
  6. Mobilizações e atos públicos
  7. Intercâmbios – troca de experiências
  8. Produção e veiculação de materiais pedagógicos e informativos como cartilhas, cartazes, livros, vídeos, materiais impressos e/ou em formato digital
  9. Ações de comunicação em geral
  10. Atividades de planejamento e outras ações de fortalecimento da organização

Clique aqui para enviar seu projeto! Mas se você ainda tiver alguma dúvida, clica aqui.

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