CESE fortalece movimentos sociais com estratégias de incidência política
17 de setembro de 2019



“O atual cenário político exige rearticulação e reorganização popular. É preciso que a gente saiba como a conjuntura se traduz na prática e como os retrocessos modificam as rotinas da nossa atuação.”. É com esse tom que Bia Cardoso, representante da Associação de Advogados(as) de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia (AATR), traz a reflexão sobre os processos de resistência e a utopia para a defesa dos direitos, para a primeira etapa da Oficina sobre do Curso sobre Incidência Política, realizada na sede da CESE, em Salvador (BA).
A formação reúne, entre os dias 16 e 20 de setembro, representantes de diversas organizações e movimentos sociais (movimento ecumênico e de mulheres negras, juventude negra, e populações tradicionais como povos indígenas, comunidades quilombolas, catadoras de mangada e fundo e fecho de pasto) com o objetivo de fortalecê-los/as em incidência política, considerando a relação com a sociedade e com o Estado.
Para Viviane Hermida, assessora de projetos e formação da CESE e uma das facilitadoras do curso, a CESE vem buscando cumprir sua missão de fortalecer os movimentos populares através de várias estratégias, e nos últimos anos tem investido fortemente no campo da formação: “Diante dos desafios que nos são impostos de forte polarização política e ideológica, a área de incidência política vem sendo apontada como prioridade no nosso diálogo com movimentos populares em suas lutas por direitos.”.


Um dos debates que ocorreram durante o curso foi análise da atual conjuntura e a compreensão do fio condutor da história sobre país, a fim de fortalecer estratégias de incidência política e organizar a resistência ao retrocesso e ao ataque aos direitos conquistados. Cada movimento/organização relatou o contexto de lutas de suas realidades, apresentando símbolos de suas comunidades e territórios.

Para dar sequência ao debate, foi apresentado aos grupos um leque diversificado de ferramentas, como a análise de problemas e de soluções, atores envolvidos/as, priorização de táticas de incidência, fases do processo de elaboração e implementação de políticas públicas e compreensão das diversas etapas de incidência.
A formação integra “Virando o Jogo”, programa de apoio ao fortalecimento de organizações nas áreas de mobilização de recursos locais e incidência política, incluindo atividades de formação presenciais e a distância. “Virando o Jogo” é uma iniciativa da agência de cooperação holandesa Wilde Ganzen, em conjunto com Smile Foundation (Índia), KCDF (Quênia) e CESE (Brasil), com o apoio do governo holandês.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.