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Cese promove roda de diálogo virtual sobre mobilização de recursos com pessoas físicas
27 de junho de 2022

A CESE realizou, no dia 20 de junho, uma roda de diálogo virtual sobre mobilização de recursos com pessoas físicas. O tema da atividade foi fruto de um recente levantamento feito pela CESE sobre a contribuição das formações que realiza para fortalecer a prática dos movimentos populares. A atividade contou com a presença de 30 pessoas de diversas organizações que já participaram dos cursos de mobilização de recursos locais e de incidência política promovidos pela CESE, no âmbito do Programa Virando o Jogo.
Júlia Magnoni

Para aprofundamento dessa estratégia de mobilização, a roda contou com a participação da jornalista Júlia Magnoni, da organização Habitat para Humanidade que acompanha algumas articulações e campanhas, entre elas a Campanha Despejo Zero e a Articulação Recife de Lutas. Na roda, Julia relatou a experiência de mobilização de recursos nos anos de 2020 e 2021 da Articulação Recife de Lutas, salientando a importância do planejamento, do apoio coletivo e da transparência na comunicação sobre a aplicação dos recursos arrecadados.

Daiane Dultra, consultora de organizações da sociedade civil, entre elas a CESE, com grande conhecimento em metodologias de PMA (Planejamento + Monitoramento + Avaliação), que assessorou ActionAid Brasil no campo de parcerias institucionais e filantropia, também participou da atividade, trazendo a importância do planejamento, da comunicação, dos canais de aquisição, de retenção de quem já doa, da divisão/ distribuição de tarefas na organização, além das ações off-line como rifas e ações porta a porta: A consultora afirmou que “mobilizar recursos não é vender projetos, mas contar histórias” e perguntou: “Quais ações fazem sentido e podem ser realizadas por sua organização?”.
O debate trouxe outras questões relacionadas a mobilização com pessoas físicas como a segurança da informação, o trabalho voluntário e como organizações que não tem certificado nacional de pessoa jurídica (CNPJ) podem mobilizar recursos financeiros. ‘’Como fazer uma ação, uma campanha com tantos golpes na Internet, no what´s app e nas redes sociais?’’ foi a preocupação de Francisco Fernando, da Frente de Lutas por Moradia, de Fortaleza/CE, que também agradeceu a CESE pelo convite.
Cristiane Lopes dos Santos, da Rede de Mulheres Negras da Bahia, de Salvador, trouxe a questão da formalização das associações e coletivos: ‘’Quais estratégias podemos adotar para mobilizar recursos em associações que não tem uma formalização para arrecadação?’’
Elizabete Santos Lopes, do MOQUIBOM / Movimento Quilombola do Maranhão destacou que as estratégias apresentadas por Daiane e Julia foram relevantes, mas também levantou as questões de segurança da informação como desafio nesse campo.
Daiane e Júlia relataram alguns cuidados que podem ser uma saída para as preocupações trazidas pelos/as participantes: a utilização de plataformas de arrecadação que já seguem a Lei Geral de Proteção de Dados, a parceria com outras organizações que tenham CNPJ e que possam mobilizar recursos em uma campanha coletiva, a divulgação das campanhas entre pessoas de confiança, de suas redes de relacionamento, e os cuidados em não compartilhar dados sensíveis e documentos no whatsapp, dentre outros.
A roda foi mediada por Lucyvanda Moura, consultora e facilitadora do Curso de Mobilização de Recursos Locais / Programa Virando o Jogo, com apoio da Fundação Wilde Ganzen.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
A CESE não está com a gente só subsidiando, mas estimulando e fortalecendo. São cinquenta anos possibilitando que as ditas minorias gritem; intervindo realmente para que a gente transforme esse país em um lugar mais igualitário e fraterno, em que a gente possa viver como nos quilombos: comunidades circulares, que cabe todo mundo, respirando liberdade e esperança. Parabéns, CESE. Axé e luz para nós!
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.
