A edição 2018 da Campanha Primavera para a vida foi prestigiada por mais de 200 pessoas no dia 15 setembro, no Museu de Arte da Bahia. Neste ano, a iniciativa abraçou o tema “Bem Aventuradas as Vidas que Defendem os Direitos, a Justiça e a Paz”, trazendo a discussão sobre assassinatos e criminalização de defensores e defensoras de direitos humanos e dos movimentos sociais.
A programação do evento foi iniciada com mística e roda de diálogo sobre a temática da 18ª edição da Campanha e contou a presença de: Marta Leiro, do Coletivo de Mulheres do Calafate; Rose Meire dos Santos Silva, do Quilombo Rio dos Macacos; Alane Reis, Odara – Instituto da Mulher Negra; e Vera Lúcia – Projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar.
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As sucessivas violações de direitos e ameaças à vida de defensores e defensoras de direitos no Quilombo Rio dos Macacos (situado na divisa entre Salvador e Simões Filho) foram trazidas à roda de diálogo. “Não consigo nem contar quantas violências já houve dentro do quilombo contra mulheres, crianças, estupros”, enumera Rose Meire Silva.
Além do cerceamento do direito de ir e vir por parte da Marinha do Brasil (que controla o acesso à comunidade), a deterioração das condições de vida dos remanescentes de quilombos se dá com a negação do direito à água: isso porque, na recente demarcação do território pela Marinha, os moradores ficaram sem acesso às nascentes dos rios.
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O genocídio da juventude negra foi o tema abordado por Vera Lúcia, moradora do bairro Nordeste de Amaralina. “Com a morte de um policial, perdemos 80 jovens. Praticamente não podemos circular no bairro. Onde não tem educação, sobra violência”, concluiu a liderança do Projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar.
Marta Leiro, do Coletivo de Mulheres do Calafate, trouxe as diversas facetas da violência contra as mulheres. E revisou o olhar (passado, presente e futuro), apostando na união entre mulheres como força política. “O sentido do grupo é a utopia. Feminismo é remar contra a maré, não desistir de estar uma com a outra. Precisamos resistir juntas”, aponta.
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A vulnerabilidade a que são remetidos negros e negras foi destaca por Alane Reis, especialmente mulheres – fruto do entrecruzamento entre racismo e machismo. Mas olhando para a conjuntura atual, Alane destaca o quão propício os momentos críticos são para mudanças. “Os machistas saíram do armário, os racistas saíram do armário, os grandes proprietários saíram do armário, então a conjuntura política está favorável. Trago na minha fala a esperança, em cada canto do país tem mulheres lutando, resistindo. Eles não querem partilhar espaços com indígenas, negros, mas não tem volta!”, sinaliza a comunicadora do Odara, que avalia a necessidade de uma reforma política que retome não só saberes africanos, mas também de negros e negras em diáspora.
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Logo após a roda de diálogo, foram abertas as portas para o início das vendas do bazar solidário, uma ação conjunta entre CESE e Cáritas Regional Nordeste 3, com roupas a preços populares.
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A tradicional feijoada foi servida a partir das 12h e embalada pelas apresentações musicais das cantoras Juliana Ribeiro e Meire Reis.
Ato ecumênico
Dentro da programação da Campanha Primavera para a Vida, será realizado, no dia 24 de setembro (segunda), ato inter-religioso na pracinha em frente à Gamboa de Baixo.
Na região habita uma comunidade pesqueira, com 350 famílias, altamente estigmatizada e visada pelo capital imobiliário, a qual luta para permanecer em seu território e preservar sua cultura e seu direito à moradia.
Realizado no início da Primavera, o ato público se propõe como um momento de solidariedade das diversas religiões com aquela comunidade, de denúncia às violações de direitos a que moradores e moradoras da Gamboa são submetidos na luta pela resistência em seus espaços; e anúncio de um futuro esperançosamente próximo da existência digna desses povos.