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Pelo Estado Democrático de Direito: 24 de janeiro – O povo nas ruas e a história nas mãos.
24 de janeiro de 2018‘Antes corra o juízo como as águas, e a justiça
como ribeirão que não seca’ (Amós 5.24)
A CESE reiteradas vezes tem se manifestado nos momentos políticos em que a democracia brasileira é ameaçada. A histórica luta na defesa e efetividade dos Direitos Humanos tem sido marca estruturante de sua trajetória e agora, num contexto de radicalização do neoliberalismo no Brasil e no mundo, nos debatemos com o retrocesso dos Direitos Civis e Políticos que pareciam definitivamente consolidados após a Constituição de 88.
Passados um ano e meio do impeachment – o golpe institucional que destituiu uma presidenta legitimamente eleita, vimos a piora das condições de vida, a supressão de direitos básicos, a ofensiva de um congresso venal promovendo contrarreformas sociais, a desqualificação das conquistas dos trabalhadores como privilégios, a desregulamentação da economia para o uso ainda mais intensivo e insustentável dos recursos naturais, a criminalização dos que lutam por direitos e liberdade. São os direitos deixando de ser, para serem acessados na forma de ‘serviços’ comprados no mercado. E são nessas condições que se deve ler o julgamento de Lula que ocorre em Porto Alegre, nesta data emblemática de 24 de janeiro, início de um ano eleitoral.
Afastar Dilma Roussef foi só um primeiro passo. Havia importantes políticas neoliberais de ajuste a serem feitas pelos representantes do capital financeiro, da FIESP e da banca internacional. Tal como no impeachment de Dilma, esse processo condenatório político de Luis Inácio Lula da Silva vem marcado por fragilidades, ausência de provas e ações contrapostas à Justiça e ao Direito, ao passo que outras pessoas com provas claras de corrupção foram absolvidas ou não tiveram seguimento em seus processos – é o que se denomina de “politização da Justiça”, num cenário de julgamento midiático.
O que está em jogo não é só Lula e eventuais conivências que seu governo tenha tido com a máquina corruptora fortíssima em países desiguais como o Brasil, mas pelo que fez de bem – cotas raciais, valorização do salário mínimo, Lei Maria Penha, centenas de escolas técnicas e novas universidades públicas, o Pré-Sal entre outras iniciativas de afirmação nacional e – tão importante quanto – o fortalecimento de um novo bloco econômico – o BRICS – o que foi ousadia de mais na política externa, também por priorizar relações com a África, enfim um conjunto de fatores que tornaram esses governos petistas, com todas suas contradições e concessões, uma afronta ao histórico domínio dos EUA – está é a questão de fundo, inclusive, a explicar sua popularidade colocando-o com larga margem em todas as pesquisas eleitorais e a enorme repercussão internacional deste julgamento.
Frente ao populismo judicial o que está em jogo é o futuro de nossa democracia, com sério risco da vontade popular de Lula participar do processo eleitoral não ser respeitada. Oportunidade de rever estratégias e prioridades no leque de alianças se vislumbramos um governo comprometido com a revisão dos retrocessos e afirmação de direitos, para se discutir um novo projeto de nação, a democratização da democracia, da economia, da cultura e das demais dimensões da vida. Com o povo na rua, a História nas mãos.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.