Música e Direitos Humanos
Arte que mobiliza, transforma e fortalece lutas
O PROJETO
Criado em 2013, o projeto Música e Direitos Humanos nasceu do desejo da CESE de aproximar arte, solidariedade e compromisso social. Por meio de encontros inéditos entre grandes nomes da música brasileira e orquestras baianas, a iniciativa dá visibilidade à defesa dos direitos humanos e mobiliza recursos para fortalecer organizações e movimentos populares em todo o Brasil.
Mais do que uma série de espetáculos, o projeto Música e Direitos Humanos é uma experiência de sensibilização e participação. A iniciativa demonstra que a música também pode ser instrumento de transformação social: aproxima diferentes públicos, amplia o diálogo sobre direitos humanos e convida cada pessoa a fazer parte da construção de uma sociedade com mais justiça, igualdade e dignidade.
A renda obtida com os shows é destinada ao Programa de Pequenos Projetos apoiados pela CESE. São iniciativas desenvolvidas por organizações populares que atuam na defesa de territórios, no enfrentamento ao racismo e às desigualdades, na promoção dos direitos das mulheres, dos povos indígenas, das comunidades quilombolas e tradicionais, das juventudes e de outros grupos historicamente vulnerabilizados.
Ao longo de cinco edições, o projeto reuniu artistas reconhecidos nacionalmente, músicos e orquestras que valorizam as matrizes culturais africanas e afro-brasileiras. Cada apresentação foi concebida especialmente para o projeto, criando encontros singulares entre diferentes trajetórias, repertórios e sonoridades.
Cinco edições, muitos encontros
Lenine e a Orkestra Rumpilezz (2 EDIÇÕES)
A primeira edição foi realizada em 2013, como parte das comemorações pelos 40 anos da CESE. O encontro entre o cantor e compositor Lenine e a Orkestra Rumpilezz, criada e regida pelo maestro Letieres Leite, marcou o início do projeto. A combinação entre a poesia e a diversidade rítmica da obra de Lenine e a música instrumental afro-baiana da Rumpilezz traduziu, no palco, valores que fazem parte da trajetória da CESE: diversidade, diálogo, criatividade e compromisso com a vida.
Em 2014, Lenine e a Orkestra Rumpilezz voltaram a se encontrar na segunda edição. Realizado na Sala Principal do Teatro Castro Alves, o espetáculo reafirmou a força dessa parceria e consolidou o Música e Direitos Humanos como uma estratégia de mobilização de recursos e de aproximação da sociedade com as causas defendidas pela CESE.
Maria Bethânia e Orquestra Afrosinfônica
A terceira edição, em 2015, promoveu um encontro histórico entre Maria Bethânia e a Orquestra Afrosinfônica, regida pelo maestro Ubiratan Marques. Com arranjos inspirados nas tradições afro-brasileiras, o espetáculo reuniu música, ancestralidade, espiritualidade e memória. Canções consagradas ganharam novas leituras, valorizando a contribuição fundamental da cultura negra para a formação da música e da identidade brasileiras.
Gilberto Gil
e Orkestra Rumpilezz
Em 2018, na quarta edição, o palco recebeu Gilberto Gil e a Orkestra Rumpilezz, sob a regência de Letieres Leite. O concerto inédito integrou as celebrações pelos 45 anos da CESE e reuniu cerca de 1.500 pessoas no Teatro Castro Alves. O encontro aproximou a obra de um dos maiores artistas brasileiros da musicalidade singular da Rumpilezz, celebrando a cultura como direito, expressão de liberdade e força de transformação. Toda a renda do espetáculo foi destinada aos projetos sociais apoiados pela CESE.
Marisa Monte
e Orquestra Afrosinfônica
O projeto retornou em 2025 para sua quinta edição, reunindo Marisa Monte e a Orquestra Afrosinfônica, regida pelo maestro Ubiratan Marques. Realizado na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, o concerto teve ingressos esgotados e recebeu mais de cinco mil pessoas. Preparado especialmente para a ocasião, o espetáculo valorizou a herança cultural afro-brasileira e marcou a retomada de uma das mais importantes iniciativas de mobilização de recursos da CESE.
Música que se transforma em direitos
A história do Música e Direitos Humanos mostra que cultura, solidariedade e participação social podem caminhar juntas. A cada edição, artistas, músicos, equipes, instituições parceiras, apoiadores e público somam esforços para transformar a experiência coletiva da música em apoio concreto às lutas populares.
Os recursos mobilizados contribuem para a realização de formações, campanhas, encontros, mobilizações, ações de comunicação e incidência política, atividades de proteção dos territórios e diversas outras iniciativas conduzidas por organizações populares. São projetos que, muitas vezes com poucos recursos, produzem mudanças importantes na vida de comunidades de diferentes regiões do país.
Ao criar pontes entre os palcos e os territórios, o Música e Direitos Humanos reafirma um princípio presente em toda a caminhada da CESE: os direitos humanos fazem parte da vida cotidiana e se manifestam no direito à cultura, à terra, à moradia, à liberdade religiosa, à igualdade, à participação política e a uma vida livre de todas as formas de violência.
Em cinco edições, o projeto construiu uma trajetória marcada por encontros memoráveis e pela confiança de milhares de pessoas que acreditam no poder transformador da arte. Uma história em que cada ingresso, cada parceria e cada presença ajudam a fortalecer quem está, todos os dias, construindo caminhos de justiça e dignidade.
Porque, quando a música encontra a solidariedade, a luta por direitos ganha novas vozes.
“Eu costumo sempre chamar esses encontros de reencontros porque eu percebo que já existe uma sintonia muito forte. Afrosinfônica nasce com essa preocupação com a cultura brasileira, em cuidar dos nossos jardins. Da mesma forma a Marisa, você percebe as pessoas que a cercam e que ela está sempre por perto. Eu acho que esse encontro/reencontro vai trazer mais um momento de fortalecimento do fundamento da música brasileira, que é a música de matriz africana, porque os guardiões dessa música são os terreiros e todas as manifestações que saem dos terreiros, ou seja, o samba, os maracatus, as cirandas, os blocos afro que deriva o carnaval”.
MAESTRO UBIRATAN MARQUES
VÍDEOS DAS 5 EDIÇÕES
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VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
‘Seguimos sendo uma igreja profética, que transforma palavras em ações e apoia aqueles povos que historicamente sofrem as consequências das desigualdades. Saio deste momento com muita gratidão. Parabéns à CESE por, em nome das igrejas, estar comprometida com a defesa dos direitos humanos, a justiça social e a luta dos povos e comunidades tradicionais em todo o território nacional. Continuem contando conosco.” – Pastor Mauro Batista de Souza (IECLB).
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
“Sou a presidente aqui da Comunidade Quilombola Menino Jesus e é um prazer, uma honra, receber o pessoal das igrejas que fazem parte da CESE. A gente sempre gosta de receber pessoas, tanto daqui de perto quanto de longe, e com vocês não foi diferente. Sempre procuramos dar o nosso melhor para acolher quem chega e para mostrar um pouco da nossa comunidade e da nossa luta. Falar do nosso quilombo é motivo de muito orgulho para nós. Temos orgulho de ser quilombolas, da nossa história e da nossa identidade”
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)