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“Temos raízes profundas, sempre brotaremos”, CESE lança a 2ª edição do guia para elaboração de projetos sociais para Mulheres do Cerrado
10 de setembro de 2026
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“Temos raízes profundas, sempre brotaremos”, CESE lança a 2ª edição do guia para elaboração de projetos sociais para Mulheres do Cerrado
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Atualizado e ampliado, a publicação visa um olhar com profundidade, debates e detalhes sobre como escrever e fazer a gestão de projetos coletivos nos territórios
A escrita de projetos nem sempre é fácil. É um processo que nos convida a colocar no papel as ideias que serão desenvolvidas por um grupo e, para isso, é importante ter uma orientação. Lançado durante o IV Encontro de Mulheres do Cerrado, entre os dias 1 e 3 de outubro, em Várzea Grande (MT), o Guia para elaboração de projetos sociais – Mulheres do Cerrado: Raízes Profundas vem no sentido de possibilitar que as mulheres acessem recursos que podem transformar a realidade de seus territórios.
Realizado pela Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) em parceria com a Articulação de Mulheres do Cerrado – e apoio de Heks Eper e Instituto Ibirapitanga, a publicação chega a sua 2ª edição com profundidade em sua atualização a partir da escuta, vivência e escrita por várias mãos. O guia, além de detalhar o passo a passo para escrever um projeto, ainda apresenta referências de conteúdo sobre o Cerrado, dados sobre projetos fortalecidos pela CESE, receitas, testes de conhecimento e debates que dizem respeito às desigualdades sociais.
“A atuação da CESE no Cerrado vem se fortalecendo ao longo dos anos, com a ampliação e a diversificação das ações, a construção de múltiplas parcerias e o aprofundamento de temas relacionados aos direitos dos povos do Cerrado, aos seus territórios e modos de vida. Além do apoio a projetos, avançamos nas áreas de formação, comunicação e incidência política. Este material é uma edição ampliada e atualizada da publicação Mulheres do Cerrado – Guia para elaboração de projetos sociais, lançada pela CESE em 2019. A primeira edição foi construída a partir de duas oficinas sobre relações sociais de gênero e elaboração de projetos, realizadas com mulheres camponesas, indígenas e de povos e comunidades tradicionais do Cerrado, além do apoio financeiro a 21 iniciativas desses grupos. Nesta nova edição, a gente também traz a referência das raízes profundas, das raízes que se conectam. Não são raízes isoladas do Cerrado, mas raízes que também alimentam as águas. Por meio delas, a água chega de maneira mais profunda. Então, isso inspira um pouco a nossa escrita”, conta Olga Matos, assessora de Projetos e Formação da CESE, durante o lançamento realizado em Mato Grosso.
O Cerrado é um território de vida mantido pelas mulheres. Ter um guia que parte e se volta a esse público, amplia o acesso à autonomia da gestão de projetos para acionarem, nas comunidades e territórios do campo e da cidade, atividades que fortalecem todas as pessoas. Wasady Xakriabá, integrante da Mobilização dos Povos Indígenas do Cerrado (MOPIC) e da Articulação da Juventude Xakriabá, em Minas Gerais, ressalta que um guia como esse contribui, inclusive, para evitar a evasão nos territórios e para trazer a juventude às ações, para que elas e eles também desenvolvam suas habilidades.
“A gente sabe que a grande maioria dos recursos são via projetos. E, muitas vezes, falta muito a compreensão sobre inscrição e gestão de projetos por parte das mulheres de comunidades. Então, eu acredito que esse guia, vem como uma ferramenta para ajudar as mulheres a terem essa autonomia no campo da captação de recursos, nos mostrando que a gente, de fato, consegue ter essa autonomia financeira dentro dos nossos territórios e que a gente pode usar isso para alcançar grandes voos”, completa.
Com textos que nos fazem refletir, pensar o cenário atual do país e da desigualdade de acesso e participação efetiva das mulheres em projetos sociais, o guia amplia o olhar para a escrita que visa à captação de recursos como oportunidades de mobilização nos territórios e até a incidência política para a melhoria de vida de quem vive no Cerrado, especialmente mulheres e jovens.
Assim, a discussão sobre gênero, raça, etnia e classe como sistemas que afetam a vida das mulheres do Cerrado é debatida politicamente para que estimule projetos que também possam oferecer outras saídas. A publicação reforça, então, o compromisso da CESE com a diversidade de movimentos de mulheres e a capacitação das lideranças que vêm reivindicando os seus direitos.
“É muito importante para a gente ver um material tão bem produzido, didático, com qualidade e com roteiro muito bem pensado para nós mulheres do Cerrado. Isso ajuda muito a gente a fortalecer as nossas escritas, as nossas elaborações de projetos e a acessar os nossos direitos. O guia fornece ferramentas que permitem que a gente possa fortalecer os nossos grupos, coletivos e territórios”, finaliza Arilene Martins, integrante do Instituto Pretas e Quilombola da comunidade do Cedro (GO).
O lançamento aconteceu no IV Encontro das Mulheres do Cerrado, que aconteceu de 1 a 3 de setembro, em Mato Grosso, e reuniu lideranças de diferentes territórios para fortalecer a articulação, trocar saberes e reafirmar a defesa dos corpos-territórios.
Com o tema “Somos corpo-território: encontrar, cuidar e resistir”, além do lançamento da publicação, a programação abordou mudanças climáticas, avanço do agronegócio, saúde, agroecologia, saberes tradicionais e defesa dos territórios.
Texto e fotos – Ludmila Pereira Almeida / Articulação de Mulheres do Cerrado
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
“Sou a presidente aqui da Comunidade Quilombola Menino Jesus e é um prazer, uma honra, receber o pessoal das igrejas que fazem parte da CESE. A gente sempre gosta de receber pessoas, tanto daqui de perto quanto de longe, e com vocês não foi diferente. Sempre procuramos dar o nosso melhor para acolher quem chega e para mostrar um pouco da nossa comunidade e da nossa luta. Falar do nosso quilombo é motivo de muito orgulho para nós. Temos orgulho de ser quilombolas, da nossa história e da nossa identidade”
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
A CESE completa 50 anos de testemunho de fé ativa no amor, faz jus ao seu nome. Desde o início, se colocou em defesa dos direitos humanos, denunciou atos de violência e de tortura, participou da discussão de grandes temas nacionais, apoiou movimentos sociais de libertação. Parabéns pela atuação profética, em prol da unidade e da cidadania. Que Deus continue a fazer da CESE uma benção para muitos.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.