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Encontro de formação aprofunda estratégias de mobilização de recursos com organizações populares
23 de julho de 2025


No dia 22 de julho, a sede da CESE, em Salvador (BA), foi novamente ocupada por vozes, ideias e experiências de quem está na linha de frente da luta por direitos. A organização realizou o Encontro de Atualização sobre Mobilização de Recursos Locais, no âmbito do Programa Virando o Jogo, reunindo 14 representantes de organizações populares que já participaram de cursos anteriores promovidos pela CESE.
A atividade teve como foco dois temas estratégicos para a sustentabilidade das organizações: Comunicação e Planejamento. A escolha dos conteúdos partiu de um levantamento recente feito com egressas e egressos das formações da CESE, que apontaram essas áreas como prioritárias para seguir fortalecendo suas práticas de mobilização de recursos.
Para aprofundar os debates e partilhas, o encontro contou com uma explanação dialogada das educadoras populares Lucyvanda Moura e Marília Pinto, integrantes da equipe da CESE, e do formador Albert França, militante do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e coordenador da Pacová.
Lucyvanda relembra que, desde 2011, a CESE desenvolve formações sobre Mobilização de Recursos Locais, ampliando conhecimentos e estratégias para a sustentabilidade das organizações. “Ao longo dessa trajetória, temos acompanhado organizações que colocam em prática os aprendizados e fortalecem sua capacidade de comunicar suas causas, conhecer melhor seu público potencial doador e estruturar-se para mobilizar recursos em seus territórios”, destaca.
Ela também celebra os resultados já alcançados por essas iniciativas:
“Neste encontro de atualização, tivemos a oportunidade de conhecer algumas dessas histórias de sucesso, o que confirma a importância de seguirmos oferecendo os cursos em parceria com o Programa Virando o Jogo”, afirma Lucyvanda, que também coordena o programa no Brasil.
Vivência prática e construção coletiva


Durante o encontro, as pessoas participantes colocaram a mão na massa. Foram desenvolvidas atividades práticas, como a produção de conteúdos para redes sociais e a sistematização de planos de mobilização de recursos, conectando teoria e prática em uma dinâmica colaborativa.
O debate também trouxe à tona questões atuais e desafiadoras para quem mobiliza recursos com o apoio de pessoas físicas, como segurança digital, trabalho voluntário e a importância da prestação de contas transparente, elementos fundamentais para manter a credibilidade e a confiança nas organizações.
O encontro reafirma o compromisso da CESE com a formação política e o fortalecimento das capacidades organizativas dos movimentos sociais e populares, contribuindo diretamente para a sustentabilidade das lutas por direitos no Brasil.
Sobre o Programa Virando o Jogo
O Virando o Jogo oferece cursos online e presenciais nas áreas de mobilização de recursos locais e incidência política em 16 países na África, Ásia e América Latina. O objetivo do programa é capacitar grupos populares e organizações da sociedade civil para ações de defesa de direitos e transformação social, assim como diversificar fontes de recursos para garantir ações cotidianas e uma vida mais duradoura para as organizações.
No Brasil, os cursos são realizados pela CESE, com apoio da agência holandesa Wilde Ganzen, que já capacitou diferentes organizações, contribuindo para movimentos sociais brasileiros construírem estratégias criativas para conseguir mais apoio e seguir lutando por transformações sociais.
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.