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Formação

CESE promove atualização sobre Mobilização de Recursos Locais

21 de agosto de 2026

Formação realizada na sede da CESE reuniu organizações de Salvador – Ba para refletir sobre desafios, estratégias e possibilidades para fortalecer a mobilização de recursos

Mobilizar recursos é também pensar estratégias, construir parcerias, reconhecer capacidades e fortalecer relações. Para grupos populares que atuam na defesa de direitos, esse processo envolve desafios que vão desde a burocracia e a dependência de outras organizações até a necessidade de ampliar equipes, qualificar processos internos e identificar novas possibilidades de financiamento.

Foi a partir dessas questões que a CESE realizou, no dia 13 de agosto, em sua sede, em Salvador (BA), uma formação de atualização sobre Mobilização de Recursos Locais (MRL). O encontro proporcionou um espaço de reflexão, troca de experiências e construção coletiva de estratégias para enfrentar desafios relacionados à sustentabilidade das organizações.

A atividade foi conduzida por Lucyvanda Moura, formadora master da Aliança Virando o Jogo e assessora de Projetos e Formação na CESE, e por Adriana Fernandes, formadora em Mobilização de Recursos Locais da Aliança Virando o Jogo

Ao longo do encontro, as pessoas participantes foram convidadas a refletir sobre os desafios, definição de objetivos, estratégias, atividades, metas, responsabilidades, prazos, investimentos, possíveis ameaças e as possibilidades relacionadas à Mobilização de Recursos Locais, considerando as diferentes realidades e capacidades das organizações.

Refletir sobre os desafios para encontrar novos caminhos

Diversos foram os desafios identificados que atravessam os processos de mobilização de recursos. Entre esses, além da burocracia, da dependência de outras organizações, dos processos internos de gestão, do envolvimento de pessoas, foram também apontadas dificuldades relacionadas ao controle, execução e fiscalização dos recursos.

A escolha das fontes financiadoras considerando sempre a missão e o projeto político das organizações foi abordada como um aspecto essencial pela necessidade de evitar estabelecer compromissos que possam afetar a autonomia das organizações na relação com financiadores.

Para isso, é importante conhecer o cenário e as diferentes linhas de apoio existentes, identificando oportunidades de acesso a recursos sem perder de vista os princípios e objetivos que orientam cada organização.

Estratégias construídas a partir do coletivo

Mais do que identificar dificuldades, a formação buscou pensar quais alternativas estão sendo construídas pelas organizações.

Ficou bastante evidente a necessidade de fortalecer capacidades das organizações para garantir uma qualificação crescente no campo da mobilização de recursos. Algumas atitudes importantes nessa direção são: reconhecimento das habilidades e dos diferentes perfis das pessoas que integram as organizações, a distribuição de tarefas, a descentralização da gestão e a profissionalização dos processos.

A comunicação, a gestão e o monitoramento também apareceram como áreas que podem ser fortalecidas a partir da identificação das capacidades existentes dentro de cada organização.

Abrir-se para o novo também faz parte das estratégias

A participação das juventudes apareceu como uma das possibilidades para ampliar capacidades e construir novas estratégias dentro das organizações. Como uma via de mão dupla, é necessário que sejam criadas condições para que jovens conheçam melhor as organizações, participem de seus processos e possam experimentar, aprender e contribuir. Assim, o diálogo intergeracional, a formação e o envolvimento das juventudes nos projetos políticos foram destacados como caminhos para fortalecer sua participação.

As tecnologias e as redes sociais também foram apontadas como possibilidades a serem aproveitadas, considerando os conhecimentos e as experiências das juventudes em comunicação e ferramentas digitais.

A aproximação com universidades – inclusive por meio de estágios e outras formas de apoio – também foi levantada como uma alternativa para fortalecer os recursos humanos das organizações e criar novas oportunidades de aprendizagem e participação.

A experiência da REPROTAI, compartilhada durante a formação por Luana Cristina da Silva Mattos, mostrou uma dessas possibilidades.

“Quando eu falo de juventude, já penso na futuridade. A gente tem a REPROTAI, onde fazemos a capacitação e as formalizações. Agora, estamos colocando eles também no turismo comunitário. Já temos três meninos lá no turismo comunitário também fazendo parte.”

Essa discussão ganha ainda mais relevância neste mês, quando a CESE se junta ao Agosto da Juventude, agenda que reforça a importância da participação das juventudes na construção de direitos e na transformação social.

A mobilização começa no território

A sustentabilidade também foi discutida a partir da relação das organizações com as comunidades onde atuam. Para Ronildo Sacramento dos Santos,

“A comunidade precisa estar sendo vista como importante nesse processo de cuidar dessa instituição. Mas, também, a ACOPAMEC desenvolve essa mobilização de recursos a partir de outras perspectivas, desde as redes sociais, onde a gente consegue ampliar nossas possibilidades para um público muito maior.”

A experiência apresentada por Ronildo evidencia que a mobilização pode acontecer por diferentes caminhos, combinando a relação cotidiana com as comunidades, o uso das redes sociais e a construção de parcerias. Nesse sentido, mobilizar recursos não significa apenas acessar financiadores, mas também comunicar o trabalho realizado, aproximar pessoas da organização e criar novas redes de apoio.

Planejamento: saber aonde se quer chegar

Para trabalhar de forma prática a importância do planejamento, a atualização trouxe a provocação de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll: Diante da pergunta “Você poderia me dizer, por favor, qual caminho eu devo seguir?”, a resposta foi: “Isso depende muito de onde você deseja chegar.” 

Esse breve diálogo trouxe a reflexão sobre a importância de saber onde se quer chegar – ter objetivos e metas claros – para, então, definir os caminhos e as estratégias necessárias.

A partir dessas reflexões, as pessoas participantes trabalharam a elaboração de um plano simples para mobilizar recursos para uma ação, pensando nos custos, na capacidade de contribuição do público e nas estratégias necessárias para colocar o planejamento em prática.

Outra provocação importante sobre planejamento para mobilização de recursos foi relacionada à responsabilidade das pessoas envolvidas, o que foi abordado a partir da história “Todo Mundo, Alguém, Qualquer Um e Ninguém”. Na narrativa, uma tarefa importante precisava ser realizada, mas todos acreditavam que qualquer pessoa faria. Ao final, ninguém havia realizado o trabalho. A dinâmica ajudou a pensar sobre uma questão essencial: é necessário definir quem fará o quê.

Diversidade de ideias e construção coletiva

A experiência prática também permitiu identificar desafios, como a dificuldade de mensurar os valores finais de uma arrecadação e os custos envolvidos nas ações.

Ao mesmo tempo, a atividade foi avaliada positivamente pela diversidade de ideias construídas nos grupos e pela possibilidade de elaborar reflexões a partir dos conhecimentos compartilhados durante a própria atualização.

Um dos aprendizados destacados foi a possibilidade de identificar com quais tarefas cada pessoa mais se identificava, aproximando habilidades, interesses e responsabilidades para pensar formas mais coletivas de atuação.

Mobilizar recursos é fortalecer a organização

As organizações avaliaram que a formação promovida pela CESE reforçou a ideia de que pensar em mobilização de recursos significa pensar em pessoas, relações, planejamento, comunicação, articulação e sustentabilidade.

A experiência compartilhada pelas organizações mostrou que os recursos podem estar em diferentes lugares: nas pessoas que fazem parte das iniciativas, nas comunidades, nas redes de parceria, nas universidades, nas tecnologias e nas relações construídas ao longo do tempo. Assim, contribuiu para que as organizações reconhecessem capacidades já existentes, identificassem novas possibilidades e refletissem sobre estratégias de sustentabilidade conectadas às suas realidades e aos projetos políticos que orientam suas ações.

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