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Boto Fé na Democracia: CESE lança 26ª Campanha Primavera para a Vida

23 de setembro de 2026
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Boto Fé na Democracia: CESE lança 26ª Campanha Primavera para a Vida

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Encontro reuniu representantes do campo ecumênico, movimentos sociais e organizações populares para refletir sobre os desafios da democracia e o papel das comunidades de fé na defesa dos direitos

A primavera começou na CESE com música, encontro e uma conversa necessária sobre democracia. Na noite de 22 de setembro, a organização lançou a 26ª Campanha Primavera para a Vida, com o tema “Boto Fé na Democracia: Eu escolho a Verdade – A verdade brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus” (Sl 85.11).

Realizado na sede da CESE, em Salvador, o lançamento reuniu representantes de igrejas, organizações ecumênicas, movimentos sociais e organizações populares. A roda de diálogo contou com a participação da jornalista, escritora e coordenadora da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito Nilza Valéria, da jornalista, pastora e co-diretora executiva do Novas Narrativas Evangélicas Luciana Petersen, e do filósofo e professor da Universidade Federal de Sergipe Romero Venâncio. A atividade foi conduzida por Sônia Mota, diretora executiva da CESE, e Bianca Daébs, assessora para Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da organização.

A noite também foi marcada pela música. Entre uma fala e outra, canções como Liberdade, Liberdade, Resistir ao Mal, Samba da Utopia, Samba Social e O Bem ajudaram a criar o ambiente do encontro. A presença do pastor, compositor e músico José Augusto Amorim trouxe para a atividade uma dimensão que atravessou toda a noite: a luta política também é feita de cultura, afeto e alegria.

Uma campanha que nasce do compromisso histórico com a democracia

Na abertura, Sônia Mota lembrou que a democracia faz parte da própria história da CESE. A organização construiu sua trajetória junto a movimentos sociais e populares na defesa de direitos humanos e da democracia: “Uma organização como a CESE, fundada em 1973, criada em plena Ditadura Militar, que sempre pautou a sua trajetória pela defesa dos direitos, pela defesa da democracia, pela defesa das comunidades mais vulnerabilizadas, que sempre apoiou movimentos populares em todo o Brasil, não podia se calar ou fazer de conta que nada está acontecendo no nosso país”, afirmou.

Para Sônia, a Campanha Primavera para a Vida deste ano nasce justamente da necessidade de abrir espaços de conversa sobre democracia dentro das comunidades de fé. A proposta não é uma campanha político-partidária, mas um convite para refletir sobre os valores e o projeto de sociedade que a fé cristã pode ajudar a construir.

Bianca Daébs também situou a Campanha em diálogo com a iniciativa Boto Fé no Voto, destacando a importância de levar essa discussão para dentro das igrejas e comunidades de fé. “A Primavera para a Vida adota essa campanha para que a gente tenha um voto consciente e qualificado. Para que possamos construir um processo democrático de uma forma digna e justa”, declarou a assessora.

Disputa de narrativas em defesa da democracia

Luciana Petersen trouxe para o debate a relação entre juventude, fé e os novos espaços de comunicação. Ao falar sobre as redes sociais, destacou que elas também podem ser ocupadas por mensagens em defesa dos direitos e da democracia.

Para ela, em vez de tratar a internet como inimiga, é preciso disputar esses espaços e encontrar novas formas de comunicação com as juventudes. “A gente tem usado os memes, as dancinhas, toda sorte de novidade aí da nossa geração para comunicar que dá para ser jovem e apoiar a democracia, e ser crente, e viver a nossa fé de uma forma livre, de uma forma plural, acreditando que a mesa de Jesus cabe todos nós”, afirmou.

Para Luciana, ocupar esses espaços também exige diálogo entre diferentes gerações e atenção ao modo como a informação circula. “A gente precisa cada vez mais se unir intergeracionalmente para a gente falar: estamos todo mundo junto aqui para proclamar que o Reino de Deus é esse Reino de justiça, de paz e alegria para todo mundo”, afirmou. Ela também chamou atenção para a necessidade de desenvolver senso crítico diante das informações que chegam pelas redes e de fazer da busca pela verdade parte da vivência da fé.

Na sequência, Romero Venâncio abordou os desafios colocados pelo fundamentalismo religioso e pelas redes digitais, destacando a disputa de narrativas que acontece nesses espaços e a necessidade de reafirmar o compromisso com a democracia. Em sua fala, chamou atenção para a forma como discursos religiosos também podem ser mobilizados nessa disputa: “A gente está vivendo um momento em que a fé precisa ter uma força mais poderosa para reinventar essa luta”.

Nilza Valéria destacou a importância de ampliar o diálogo, especialmente com comunidades cristãs diversas. Para ela, a defesa da democracia passa também pela capacidade de conversar sem reduzir a diversidade existente dentro das igrejas e do campo evangélico. “A gente precisa dialogar com as pessoas, porque as pessoas são autônomas, são críticas, e a gente não pode achar que todo mundo que é evangélico pensa da mesma forma”, afirmou. Ao longo da fala, Nilza também reforçou que a democracia é fundamental para garantir a liberdade de culto, a existência das diferentes expressões religiosas e a defesa dos direitos.

Durante o debate, a importância de aproximar diferentes experiências e espaços de fé também apareceu nas falas de participantes da roda. Ruben Siqueira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), destacou a dimensão popular da construção democrática: “Eu boto fé na democracia. E ela é construída pelo povo.”.

Márcia Rodrigues, do Centro de Estudos Bíblicos – CEBI-Bahia, trouxe outra dimensão do diálogo ao questionar por que determinadas vozes ainda não conseguem chegar a alguns espaços religiosos. “Uma das questões que eu sempre tenho feito com as pessoas é: por que nossa voz não chega em certos templos?”, provocou. Ela contou que algumas mulheres têm começado a denunciar situações de violência nesses espaços e chamou atenção para a importância de reconhecer e compartilhar discursos em defesa dos direitos, mesmo quando eles partem de diferentes campos religiosos.

Ao final, Bianca Daébs retomou a esperança como uma força que atravessa a fé e as lutas populares. “Se a utopia não mover a gente, então não faz mais nada sentido. É essa boa nova, dessa esperança que a juventude traz, que as mulheres trazem, que o movimento traz, que a fé traz”, afirmou. Para ela, é justamente essa fé que permite continuar apostando na vida, no voto e nas possibilidades que parecem difíceis de alcançar: “Eu levo um jeito que me faz botar fé na vida, fé no voto, fé nas coisas mais impossíveis. Mas, se a fé não me servir pra isso, ela também não me serve pra mais nada”.

A noite terminou com música e com uma sensação compartilhada de que falar de democracia também é falar de relações, de escuta, de memória e de imaginar outros caminhos.

Uma publicação para continuar a conversa

Além de marcar o início da 26ª Campanha Primavera para a Vida, o encontro apresentou a publicação “Boto Fé na Democracia”, que reúne reflexões bíblicas e experiências relacionadas a diferentes dimensões da vida social e das lutas populares.

A publicação percorre temas como voto, democracia, agroecologia, economia popular solidária, juventude, ecumenismo, justiça, mulheres e diversidade, aproximando a reflexão bíblica das experiências de pessoas, grupos e organizações apoiadas pela CESE.

A proposta é que o material continue circulando para além da noite de lançamento, chegando às igrejas, comunidades de fé, movimentos, organizações e grupos que desejem criar espaços de conversa sobre a temática.

Porque, se a primavera anuncia o tempo das flores, a democracia também precisa de cuidado. Precisa de diálogo, de gente disposta a escutar, de memória para reconhecer as lutas que vieram antes e de coragem para continuar cultivando a vida coletiva.

Nesta primavera, a CESE reafirma seu chamado: Boto Fé na Democracia. Eu escolho a Verdade.

Acesse aqui a publicação da 26ª Campanha Primavera para a Vida.

Acesse aqui também o Subsídio Litúrgico da Campanha.

Acesse aqui os registros fotográficos da noite de lançamento da campanha.

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