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Diálogo e articulação com movimentos sociais

12 de agosto: memória, resistência e enfrentamento à violência no campo

12 de agosto de 2026

O dia 12 de agosto mantém viva a memória de Margarida Maria Alves, trabalhadora rural, defensora dos direitos humanos e dirigente sindical assassinada em 1983, em Alagoa Grande, na Paraíba. Sua luta por direitos trabalhistas, reforma agrária e condições dignas de vida transformou Margarida em símbolo nacional da força e da coragem das mulheres do campo.

Mais de quatro décadas depois, a violência que tentou silenciá-la continua atingindo trabalhadoras e trabalhadores rurais, povos indígenas, comunidades quilombolas e tradicionais, agricultores familiares e defensoras e defensores dos territórios. Conflitos fundiários, ameaças, expulsões, assassinatos e os impactos da mineração e de outros grandes empreendimentos demonstram que a defesa da terra permanece também uma luta em defesa da vida.

Em 2026, essa memória se soma à Semana Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo, realizada de 10 a 14 de agosto. A mobilização reúne a Comissão Pastoral da Terra (CPT), movimentos populares, pastorais, universidades, instituições públicas e organizações da sociedade civil em atividades presenciais e virtuais realizadas em sete estados e no Distrito Federal.

Com o lema “Vida e terra sim, violência não!”, a programação promove debates, seminários, exibições de documentários, visitas de solidariedade, reuniões institucionais, divulgação de relatórios e ações de incidência política. Entre os temas abordados estão os conflitos fundiários, os impactos da mineração, os incêndios criminosos, a violência contra os povos indígenas e os mecanismos de proteção dos direitos humanos.

A mobilização ocorre em um cenário preocupante. Dados da CPT mostram que, embora o número de conflitos no campo tenha diminuído em 2025, os assassinatos relacionados a esses conflitos passaram de 13 para 26 — o dobro do registrado no ano anterior.

Neste 12 de agosto, a CESE reafirma seu compromisso com as mulheres e os povos do campo, das águas e das florestas. Ao longo de sua trajetória, a organização tem apoiado projetos, mobilizações e processos de formação e articulação que fortalecem comunidades, movimentos populares e organizações na defesa de direitos, da reforma agrária, dos territórios e da justiça socioambiental.

Recordar Margarida Maria Alves é denunciar a permanência da violência, combater a impunidade e fortalecer quem continua resistindo. Sua memória permanece viva em cada mulher que se organiza e em cada comunidade que luta pelo direito de viver com dignidade em seu território.

Margarida Maria Alves, presente!
Vida e terra sim, violência não!

A programação nacional pode ser consultada no site da Comissão Pastoral da Terra.

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